Virginia Mayo/AP
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OCDE prevê recessão menor no Brasil e crescimento global mais fraco em 2016

Economia brasileira deve encolher 3,3% no ano atual, e não mais 4,3% como apontado nas projeções de junho da entidade

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2016 | 11h06

SÃO PAULO - A Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) previu, em relatório sobre a perspectiva econômica divulgado nesta quarta-feira, 21, que a economia brasileira deve encolher 3,3% no ano atual, não mais 4,3% como apontado nas projeções de junho da entidade. No caso do crescimento mundial, a OCDE espera agora avanço de 2,9%, quando antes previa 3,0%.

A economia do Brasil deve encolher 0,3% em 2017, projeta a OCDE, quando em junho esperava queda de 1,7% no Produto Interno Bruto (PIB) do País no próximo ano. Em todo o mundo, a expectativa de crescimento para 2017 foi reduzida de 3,3% para 3,2% agora.

Em resposta à decisão do Reino Unido de votar por sua saída da União Europeia, em plebiscito realizado no fim de junho, a OCDE reduziu sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2017, de 2% para 1%. Em 2016, porém, a expectativa melhorou de um avanço de 1,7% para +1,8%. Na Alemanha, a previsão é de alta de 1,8% do PIB neste ano - 0,2 ponto porcentual a mais que em junho - e de 1,5% em 2017 - 0,2 ponto porcentual mais baixo que o calculado em junho.

No caso dos EUA, a projeção para o ano atual caiu de 1,8% para 1,4% e para 2017 ela foi reduzida de 2,2% para 2,1%. Já as projeções para a China foram mantidas: crescimento de 6,5% neste ano e de 6,2% no próximo. A expectativa para a Índia tampouco foi alterada e está em avanço do PIB de 7,4% em 2016 e de 7,5% no ano seguinte. 

Armadilhas. O fracasso em confrontar a "resistência" à globalização irá condenar a economia mundial a cair numa "armadilha de fraco crescimento", alertou a OCDE, ressaltando que taxas de juros muito baixas ou negativas estão distorcendo os mercados de ativos e ameaçando a estabilidade dos sistemas financeiros.

Os fluxos de bens e serviços entre os países tiveram forte aumento ao longo de décadas, à medida que grandes empresas transferiram parte de sua produção e empregos para o exterior, num processo conhecido como globalização. Desde a crise financeira de 2008, no entanto, os fluxos vêm crescendo em ritmo bem mais lento, em meio a sinais de que companhias estão trazendo a produção de volta para seus países de origem.

A OCDE avalia que a revitalização do comércio impulsionaria a produtividade e contribuiria para o crescimento global. O apelo da entidade por novas medidas de incentivo ao comércio, porém, vem num momento de crescente ceticismo sobre os benefícios da globalização.

Em entrevista ao The Wall Street Journal, a economista-chefe da OCDE, Catherine Mann, disse que esse ceticismo é fruto de tentativas fracassadas no passado de ajudar a minoria de trabalhadores que perderam empregos como resultado da globalização, mas previu que essas falhas podem ser corrigidas com mais financiamento para programas de requalificação e outros tipos de assistência no futuro.

A OCDE, que presta consultoria sobre política econômica a governos, defende que recentes medidas protecionistas sejam revertidas e que as barreiras tarifárias e não tarifárias existentes sejam reduzidas. A entidade também pede a remoção de obstruções a investimentos de empresas no exterior.

Economistas da OCDE calculam que essa combinação de iniciativas elevaria a taxa de crescimento da produtividade em 0,2 ponto porcentual por ano, o que representaria um impulso significativo, levando-se em conta que a expansão média nos últimos dez anos foi de apenas 0,5%. Eles reconhecem, no entanto, que o atual ambiente político "não é encorajador" para a liberalização comercial.

No documento, a OCDE também nota que o relaxamento cada vez maior das políticas monetárias causa distorções nos mercados de ativos e torna-se uma ameaça para a estabilidade financeira. A entidade recomenda que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) continue elevando "gradualmente" os juros básicos de curto prazo, mas avalia que uma postura "acomodatícia" continua sendo apropriada na zona do euro e no Japão. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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