FELIPE RAU/ESTADÃO
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OCDE sugere abertura econômica brasileira e investimentos em infraestrutura no País

Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico acredita que medidas podem ajudar a aumentar a produtividade e a proporcionar mais renda

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 10h00

LONDRES – A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) defendeu em seu estudo econômico deste ano sobre o Brasil que um investimento, em especial em infraestrutura, e uma integração com a economia global mais fortes vão ajudar o País a aumentar a produtividade e a proporcionar mais renda aos brasileiros.

Recentemente, o governo tem buscado no mercado internacionais investidores dispostos a aplicar recursos no Brasil. Foram feitos roadshows com ministros em locais como Estados Unidos, países da Europa e a China, entre outros. 

“O crescimento tornou-se mais inclusivo graças a uma melhor educação e um sistema forte de benefícios sociais, e o relatório propõe formas de aumentar a eficácia das transferências sociais para desenvolver esse progresso enquanto preserva a sustentabilidade fiscal”, trouxe o documento de 68 páginas da entidade, o “Active with Brazil”, divulgado nesta quarta-feira, 28. 

Para a OCDE, o Brasil está emergindo da pior crise econômica de sua história recente. “O governo está transformando a economia por meio da implementação de um ambicioso conjunto de reformas para melhorar o ambiente empresarial e promover produtividade e o investimento. A OCDE contribui para esses esforços, fornecendo uma análise minuciosa das políticas macroeconômicas e estruturais para orientar o desenvolvimento e implementação das reformas”, enfatizou a instituição. 

Duas vezes por ano, o Economic Outlook da OCDE analisa as perspectivas econômicas de curto prazo de seus membros (um total de 35 países) e de não-membros selecionados, como o Brasil. A edição de 2017 recomendou que o Brasil aumentasse a eficácia dos benefícios sociais para reduzir a desigualdade de renda, melhorasse os resultados e a equidade na educação, reduzisse as distorções no sistema tributário e diminuísse as barreiras ao comércio. Indicou  também que aumentasse o investimento público e privado em infraestrutura.

Aceleração. Apesar de estar entre as 10 maiores economias do mundo, o papel desempenhado pelo Brasil no mercado internacional está longe de ser proporcional ao seu tamanho econômico, de acordo com a Organização. Para a entidade, além de usar melhor suas forças competitivas já existentes, precisa acelerar a integração com o mundo.

“Embora o fosse o País latino-americano mais central nas redes de produção globais em 2011, O Brasil é apenas um país mediano no mundo. Além disso, embora o Brasil seja altamente central em setores primários, como mineração e pedreiras, em muitos setores de serviços e manufatura, o Brasil é relativamente periférico”, comparou. 

O documento também comenta que, muitas vezes, o Brasil está mais conectado com outras regiões do que com seus vizinhos latino-americanos. “A intensificação das redes regionais de produção poderia, portanto, ajudar o Brasil a promover as exportações e estimular ganhos de produtividade”, sugeriu. 

O desempenho brasileiro de transparência, previsibilidade e facilitação de processo no comércio supera a maioria dos outros países da América Latina, Caribe e países de renda média alta, conforme a OCDE. No entanto, de acordo com a entidade, apesar das recentes melhorias, o País é classificado como 22º  em termos de exportações, representando apenas 1,2% do volume total de exportações mundiais. “O Brasil tem potencial para aumentar significativamente seus fluxos comerciais, mas exigirá mais esforços para facilitar e promover o comércio”, avaliou o relatório.

A Organização também salientou que o País é o principal destino de Investimento Direto no País (IDP) da América Latina e o quinto do mundo. “No entanto, o investimento tem sido tradicionalmente baixo, tanto no contexto de mercados emergentes quando comparado com outros países na região. São fortes as necessidades de investimento estrangeiro para a recuperação econômica do Brasil” considerou a entidade. 

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