OCDE vê retomada do Brasil no 2º semestre e retração no ano

Apesar da recuperação estimulada por crédito e transferência de renda, órgão estima queda de 0,8% do PIB

Daniela Machado, Reuters

24 de junho de 2009 | 07h22

A economia brasileira vai se recuperar no segundo semestre, apoiada pela demanda doméstica, avalia a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mesmo assim, o Produto Interno Bruto (PIB) deve encerrar este ano com uma retração de 0,8%. Para 2010, a projeção da OCDE é de expansão de 4,0%.

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"Após uma desaceleração no primeiro trimestre, a economia parece agora estar se recuperando. A produção industrial está se expandindo e as vendas do varejo têm sido particularmente resistentes", apontou o organismo em relatório divulgado nesta quarta-feira, 24.

Para a OCDE, a demanda doméstica vai ganhar mais força nos próximos meses, apesar de um possível aumento no desemprego. "Melhora nas condições de crédito, liquidez abundante e ganhos reais de renda por conta da desinflação e de um aumento nas transferências do governo às famílias devem escorar uma recuperação do consumo privado", prevê o relatório. 

Mas apesar da aparente estabilização do desemprego e embora a confiança do consumidor e as vendas no varejo estejam aumentando, o crescimento das exportações continua fraco devido à desaceleração nos principais parceiros comerciais do Brasil, disse.

O organismo afirmou que "mais estímulo, se necessário, deve vir da política monetária", ao lembrar os cortes acumulados de 4,5% do juro básico brasileiro, para 9,25% ao ano, e avaliou que há espaço para reduções adicionais, embora menores, nos próximos meses. Isso se dá por conta da perspectiva de baixa inflação. A OCDE projeta inflação ao consumidor no país de 4,2% neste e no próximo ano - abaixo do centro da meta de 4,5% fixado para o IPCA.

O relaxamento da política fiscal, como medida anticíclica, também é apropriado, mas a OCDE chamou atenção para a trajetória da dívida pública. "Um superávit primário consolidado na faixa de 2,0 a 2,5% do PIB seria consistente com a manutenção da relação dívida/PIB abaixo - mas perto - de 40%. Porém um aumento no déficit fiscal além disso e as medidas discricionárias já anunciadas colocariam pressão adicional sobre os mercados financeiros", alertou.

 

A estimativa para o PIB do ano é levemente mais pessimista do que a queda de 0,6% projetada pela mais recente pesquisa Focus, do Banco Central, segundo a Dow Jones. No primeiro trimestre, o PIB diminuiu 1,8% em relação ao mesmo período de 2008, segundo o IBGE. No ano passado, a economia brasileira registrou expansão de 5,1%.

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