Ocean Air não participou do leilão da Varig por "falta de tempo"

Considerada a empresa favorita para comprar a Varig, a Ocean Air não participou do leilão da companhia aérea realizado hoje em um hangar do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O presidente da Ocean Air, Carlos Ebner, alegou "falta de tempo" para que a companhia pudesse estruturar uma proposta pelo controle da empresa.A Ocean Air era tida como uma das favoritas, porque o seu dono, o empresário German Efromovich, negociou intensamente nos últimos dias com autoridades do governo e da Justiça garantias para entrar no leilão sem correr o risco de herdar dívidas da Varig.Segundo Abner, o tempo em que o data room ficou aberto foi pouco para que todos os dados pudessem ser analisados. Entretanto, admitiu que entende a necessidade de agilidade do processo devido à dificuldade financeira atual da Varig. Abner revelou, entretanto, que a Ocean Air está disposta a fazer uma proposta pela Varig se a oferta feita pelo TGV (Trabalhadores do Grupo Varig), apresentada no leilão de hoje, não for aceita pelo juiz. Ele não quis comentar o teor da proposta do TGV.Única ofertaA oferta feita pelo TGV foi feita na segunda etapa do leilão da Varig. Apenas, o grupo dos trabalhadores entregou proposta para compra de toda a companhia aérea. Contudo, o valor oferecido, de US$ 449,048 milhões, é inferior ao preço mínimo estabelecido. Nesta segunda etapa, não havia valor mínimo a ser cumprido para a oferta, diferentemente da primeira etapa, em que os lances deveriam ser de valor igual ou superior ao preço mínimo fixado tanto para a companhia inteira (US$ 860 milhões) como para a parte doméstica (US$ 700 milhões). O leilão foi para a segunda etapa porque a primeira fracassou. Dos cinco investidores que se pré-qualificaram para o leilão, nenhum apresentou proposta.O valor ofertado pelo TGV corresponde a um deságio de 47,8% sobre o mínimo proposto na primeira fase do leilão, que era de US$ 860 milhões. A proposta da TGV equivale a R$ 1,010 bilhão. Desse total, R$ 225 milhões serão pagos em créditos concursais e extra-concursais, R$ 500 milhões em debêntures da nova companhia e R$ 285 milhões em dinheiro. O juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pela recuperação judicial da companhia, tem 24 horas para validar o resultado do leilão. Ele pode considerar a oferta insatisfatória e cancelar o leilão.O leilão estava marcado para as 10h e só começou no final da manhã, por volta das 11h50. A mesa que administra o leilão era formada por 11 pessoas, entre elas o juiz Ayoub, o administrador judicial da Varig, Luiz Alberto Fiori, e o presidente da empresa, Marcelo Bottini.No início, o juiz Ayoub fez um pronunciamento à platéia, e foi aplaudido de pé pelos 1.300 presentes no hangar da empresa no aeroporto Santos Dumont. Em sua fala, Ayoub disse que "A Varig é um orgulho para o País". "O que está em jogo hoje não é apenas a Varig, mas todo o teste da nova legislação (a nova lei de recuperação judicial)."

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