Ociosidade industrial preocupa

Dados do Banco Mundial serão debatidos pelos dirigentes dos Bcs

Jamil Chade, BASILEIA, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Nunca nos últimos 40 anos tantas indústrias foram obrigadas a fechar ou reduzir sua produção como neste ano. A ociosidade no setor industrial chega a quase 48% da capacidade instalada na Rússia, 39% no Japão e 32% nos Estados Unidos. A realidade do setor industrial indica que qualquer plano de investimentos de empresas para ampliar a produção será adiado em pelo menos dois anos. No Brasil, a ociosidade da indústria é de 24%.Os dados são do Banco Mundial e farão parte dos debates que começam hoje entre os maiores BCs do mundo, na Basileia. Os xerifes das finanças globais discutirão como superar a crise, garantir uma retomada sustentável e, principalmente, evitar que ela se repita. O Brasil será representado pelo presidente do BC, Henrique Meirelles.Para os economistas do Banco Mundial, a capacidade ociosa da indústria mundial atingiu nos últimos seis meses a taxa mais alta desde que o índice começou a ser avaliado, em 1970. A paralisação de fábricas resulta de dois fenômenos: primeiro, os investimentos sem precedentes de indústrias nos principais mercados nos últimos cinco anos, numa aposta de que o crescimento da economia mundial seria sustentável e a explosão do consumo nos países emergentes justificaria a ampliação de fábricas, compras de equipamentos e uma maior produção.Mas o segundo fenômeno foi a queda da economia mundial a partir de setembro de 2008, com retração no consumo. O resultado foi a queda das vendas, das exportações e das receitas de companhias. Na Espanha, Estados Unidos ou Japão, as demissões em grandes empresas são praticamente diárias. A Organização Internacional do Trabalho estima que, entre 2007 e o final deste ano, 59 milhões perderão os postos de trabalho. A própria entidade afirma que, se políticas de promoção industrial não forem adotadas, retomar os mesmos índices de desemprego dos meses anteriores à crise poderá levar de seis a oito anos.Para os economistas do Banco Mundial, as empresas não têm por que pensar em voltar a investir enquanto observarem que nem mesmo suas unidades industriais estão sendo utilizadas. Em média, a queda da produção nos países ricos foi de 35% em fevereiro desde ano, considerado como o "fundo do poço" da crise. Sem contar os dados chineses, que não foram incluídos no estudo, a produção industrial mundial sofreu uma retração de 18% em fevereiro deste ano.

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