Ociosidade na navegação de cabotagem beira 50%

As transportadoras marítimas lutam para acabar com um antigo problema da navegação de cabotagem no Brasil: o alto índice de ociosidade dos navios que carregam carga geral (industrial). As empresas saem do Sudeste com os navios cheios de produtos para o Norte e Nordeste, mas ainda têm dificuldades para voltar com as embarcações carregadas. O consultor de transportes da consultoria ABGroup (antiga ABPL/Kom), Glauber Della Giustina, estima que a ociosidade na cabotagem esteja em torno de 50%, em média, chegando a 70% principalmente na chamada rota de retorno (do Norte para o Sul).A Mercosul Line a a Aliança Navegação garantem que conseguem superar o problema. As duas registraram expansão significativa no transporte de cargas em 2002 e seus navios trafegam mais carregados.Giustina lembra que a base da questão da ociosidade é a desigualdade econômica do Norte do País em relação ao Sul. "Há muita demanda por carga industrial no Nordeste e Norte, mas esses Estados ´exportam´ para o Sul produtos primários, na maioria das vezes".Segundo ele, o desafio das empresas é aumentar a taxa de ocupação. "Os porões dos navios que saem do Sudeste para a região Norte, por exemplo, possuem uma taxa média de ocupação de 80%; no retorno, este porcentual cai para um pouco mais da metade".A ociosidade na rota do Norte para o Sul é um antigo problema das transportadoras rodoviárias, que também rodam com caminhões parcialmente vazios de Norte para Sul. Mas na cabotagem a questão é mais prejudicial porque um navio jamais pode trafegar vazio, em razão de seus altos custos de operação. Isso contribui para que o intervalo de saída dos navios seja alto no Brasil. Isto é, as empresas esperam alguns dias até que a embarcação fique cheia de carga e possa zarpar sem dar prejuízo. Segundo estudo da Coppead do Rio de Janeiro divulgado no ano passado, a disponibilidade de saída de navios no sentido Sul-Norte varia de três dias a dez dias. Do Norte para o Sul, o intervalo é maior: de cinco até 11 dias. "A baixa disponibilidade de horários diminui a competitividade da cabotagem em relação a outros modais, como o rodoviário", diz Giustina.AliançaO gerente-geral da Aliança Navegação, Luiz Guilherme Pochaczevsky, afirma que a taxa de ocupação dos navios "está longe do ideal", mas tem melhorado. Segundo ele, os navios saem do Norte para o Sul com ocupação de 50%, em média. "Mas já foi pior. Há alguns anos, a ociosidade era de 70% a 80%", afirma. A Aliança, empresa controlada pela alemã Hamburg Sud desde 1999, investe no mercado da Amazônia. Ela inaugurou no ano passado um terminal de contêineres localizado a 5 km do Porto de Manaus (AM). O transporte de cargas entre os Estados do Sul e da Amazônia hoje é realizado a cada oito dias. Em 1999, a frequência era de 15 dias. Por causa da Zona Franca, os produtos eletroeletrônicos estão entre as principais mercadorias transportadas do Amazonas para o Sul do País, seguido por produtos plásticos e materiais siderúrgicos. "Embora o setor eletroeletrônico não tenha tido um bom ano, nós sentimos discreto aquecimento na área de cargas", afirma Pochaczevsky. A empresa fechou 2002 com movimentação de 225 mil TEUs (unidades de contêiner de 20 pés), 15% a mais do que em 2001. MercosulA Mercosul Line, subsidiária nacional da anglo-holandesa P&O Nedlloyd, está conseguindo baixar a sua ociosidade. Segundo o sócio-diretor José Elias, a ocupação aumentou de 50% para 85% em relação a 2001. De acordo com ele, esse desempenho ocorre pelo "esforço de vendas" e à captação de cargas provenientes do modal rodoviário, particularmente de eletroeletrônicos, que atualmente respondem por 30% do volume de carga de Manaus para o Sudeste.A Mercosul fechou 2002 com o transporte de 40 mil TEUs, 54% a mais do que no ano anterior. Ele afirma que a meta para 2003 é chegar a 50 mil TEUs, com expansão de 25% sobre o ano passado. "Ainda podemos captar muitas cargas do rodoviário", acredita Elias.Leia mais sobre o setor de Transportes e Logística no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.