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Ocupe Wall Street chega à Cinelândia, no Rio

Assim como em São Paulo, não há pauta específica; reivindicações vão do amor ao combate à corrupção, do acesso grátis à internet ao fim do PAC

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO , O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h04

Com barba crescida, óculos escuros, correntes no pescoço e fitas do Senhor do Bonfim decorando os braços, o músico cearense Daniel Medina, de 23 anos, resolveu ontem usar um vestido para animar uma das atividades do Ocupe Rio, variante nacional da onda de protestos Ocupe Wall Street que se espalhou por várias cidades americanas.

Bom humor e até números musicais têm marcado a mobilização de cerca de 150 manifestantes que se revezam em barracas instaladas na Cinelândia, no centro do Rio, desde sábado num movimento que até eles têm dificuldades de definir. Os ativistas espalharam cartazes contra bancos e corporações. Mas o caráter inclusivo do movimento admite defesa de temas abstratos como o amor ou a denúncia de mazelas locais como as máfias de policiais e a corrupção. "A grande sacada é não ter um alvo certo. Como escreveu Cazuza, estamos nadando contra a corrente só para exercitar", define Medina.

Dudu Pererê, de 32 anos, que diz viver como poeta, explica que é a falta de uma pauta definida de reivindicações que atrai jovens ao movimento por meio de redes sociais na internet. "O primeiro passo é conscientizar as pessoas de que o atual sistema não funciona. Estamos tentando entender o que queremos e o que vamos cobrar."

Com um iPhone nas mãos, o jovem que se identifica apenas como Francisco, de 22 anos, fica bravo quando chamam o movimento de neo-hippie. "Não temos nada contra, mas se é para desqualificar e nos ridicularizar, rejeitamos. Ninguém está aqui para curtir, não é legal dormir no chão. Buscamos uma causa", disse. "Todos são bem recebidos. Adoraria que o Eike Batista viesse aqui conversar com a gente. Por que não?"

Não há hierarquia ou lideranças, mas o grupo estabelece regras em assembleias diárias. Não é permitido exibir bandeiras de partidos ou movimentos sociais. Os jovens não podem deixar lixo na praça, mas a falta de banheiros já está minando a resistência dos ativistas. "A gente usa o banheiro do McDonald's, mas não dá para tomar banho. Hoje vou ter de dar um pulo em casa", admitiu Jone Nascimento, de 23 anos.

Em São Paulo, o Vale do Anhangabaú segue ocupado pelo Acampa Sampa desde 15 de outubro. Reclamando para si 19 "bandeiras" - que vão da distribuição grátis de acesso à internet em banda larga ao fim do Programa de Aceleração do Crescimento -, o número de participantes do grupo é variável.

"Durante a semana, de dia, circulam cerca de 300 pessoas por aqui", afirma o jornalista Fábio Nassif, de 25 anos, membro da comissão de comunicação dos manifestantes. "À noite, dormem entre 80 e 90 pessoas." A relação com a polícia continua tensa desde que, há seis dias, a Justiça considerou os protestos legais sem, no entanto, permitir os acampamentos.

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