'Ocupe Wall Street' ganha o mundo

Protestos contra sistema financeiro e classe política atingem vários países; em Roma, manifestantes quebraram vidros e queimaram carros

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2011 | 03h08

A onda de protestos contra o setor financeiro e a classe política, que começou na Espanha e ganhou força com o "Ocupe Wall Street" nos Estados Unidos", espalhou-se ontem pelo mundo. Apelidados de "indignados", manifestantes saíram às ruas nas principais cidades do mundo para gritar contra o capitalismo, a corrupção dos políticos e, em alguns países, contra medidas de austeridade fiscal.

Organizadas por meio de redes sociais, como Facebook e Twitter, as marchas eram esperadas em mais de 900 cidades de 82 países. Os protestos ocorreram em locais como Hong Kong, Taiwan, Japão, Austrália, Bósnia, Holanda, Alemanha e Inglaterra, entre outros.

Em Roma, na Itália, houve violência. Milhares de manifestantes se reuniram nas ruas e alguns colocaram fogo em carros e quebraram vitrines de lojas.

O objetivo do movimento, dizem os organizadores, é "unir nossa voz e dizer aos políticos e às elites financeiras que cabe a nós, o povo, decidir nosso futuro", segundo o site da organização, 15october.net. Os protestos ocorrem simultaneamente ao encontro do G20 na França, em que políticos procuram formas de enfrentar a crise da dívida que se espalha pela zona do euro.

Na cidade alemã de Frankfurt, capital financeira da Europa continental, cerca de 5 mil pessoas fizeram uma manifestação diante do Banco Central Europeu. Em Londres, 500 pessoas marcharam da Catedral de St. Paul até uma bolsa de valores nas redondezas. Em Sarajevo, capital da Bósnia, centenas de manifestantes saíram às ruas carregando fotos de Che Guevara e velhas bandeiras comunistas com os dizeres "Morte ao capitalismo, liberdade para as pessoas".

Em Taiwan, onde manifestações do tipo são raras, cerca de cem pessoas se reuniram para criticar a má distribuição de riquezas - embora os organizadores esperassem que cerca de 1,5 mil aparecessem. Em Hong Kong, cerca de 200 pessoas responderam ao chamado dos "indignados" e se concentraram nas imediações da Bolsa local, levando cartazes com palavras de ordem como "os bancos são um câncer".

Manifestantes usaram máscaras de Guy Fawkes, das histórias em quadrinhos e do filme V de Vingança, em protesto na Coreia do Sul. Em Sydney, as ruas diante do Banco Central da Austrália foram tomadas por cerca de 2 mil manifestantes, entre representantes aborígines, sindicalistas e comunistas.

Acampamentos. Ainda não está claro se as manifestações se transformarão em "acampamentos" como os de Wall Street. Naomi Colvin, uma das organizadoras do protesto de Londres, disse que a natureza do movimento dependerá do comparecimento das pessoas e das decisões tomadas em uma suposta "assembleia geral" a ser organizada entre os manifestantes.

"Se a assembleia decidir que devemos tentar ficar (diante da Bolsa), então vamos nos esforçar para ficar", afirmou ela.

Os primeiros protestos do tipo começaram em maio, em Madri, quando centenas de pessoas, conhecidas como os "indignados", tomaram a praça Puerta del Sol para mostrar seu descontentamento com os altos índices de desemprego da Espanha e com o que chamam de forte influência das instituições financeiras sobre as decisões políticas.

Ao mesmo tempo, observadores dizem que, enquanto os protestos na Espanha tinham demandas específicas, como cortes nas jornadas de trabalho para combater o desemprego, muitos dos movimentos inspirados no "Ocupe Wall Street" têm bandeiras mais vagas. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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