Odebrecht, Camargo e Andrade vão construir usina de Belo Monte

As três empreiteiras, que haviam ficado de fora do grupo vencedor do leilão, serão responsáveis por tocar metade da obra

Renée Pereira/SÃO PAULO e Leonardo Goy/PORTO VELHO, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2010 | 00h00

O governo fechou na sexta acordo com as 11 construtoras que vão construir a Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Entre elas, estão as três maiores empreiteiras do País: Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, conforme antecipou o Estado. Juntas, as três deverão ter 50% da obra, que terá seu valo reduzido em cerca de R$ 4 bilhões, para R$ 15 bilhões.

Todo o processo de construção da usina será liderado pela Andrade Gutierrez. É ela que definirá quem vai fazer o quê na obra. Abaixo da empresa estará, além de Camargo e Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Mendes Júnior, Contern, Galvão Engenharia, Cetenco, Serveng e J.Malucelli. Essas últimas participaram do consórcio original, que venceu o leilão, em abril.

Segundo fonte ligada as negociações, na próxima semana todas as empresas vão assinar um pré-contrato, em que se comprometem a entregar vários documentos. O pré-contrato é necessário para que o governo assine o contrato de concessão, também previsto para a semana que vem, possivelmente no dia 26. O evento terá a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As negociações com as empreiteiras foram intensas nos últimos dias e até a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, participou das conversas, recebendo executivos de construtoras como a Queiroz Galvão e a Andrade Gutierrez.

Além de liderar o pool das empreiteiras, a Andrade também deverá assumir uma fatia societária na Norte Energia, empresa criada pelos vencedores do leilão da usina.

Reviravolta. A Andrade também participou do leilão, mas na época foi derrotada pelo grupo liderado pela estatal Chesf. Para entrar no bloco de sócios, a empreiteira terá de aguardar a assinatura do contrato de concessão, para comprar cota de algum dos 18 sócios do projeto.

Camargo e Odebrecht eram os grandes favoritos para levar Belo Monte, já que estudaram durante anos o projeto. Mas, com a revisão dos gastos por parte da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as duas construtoras desistiram do empreendimento, alegando ser economicamente inviável.

Na época, eles calculavam que a obra custaria R$ 30 bilhões, bem acima dos R$ 19 bilhões calculados pela EPE. A desistência das duas construtoras chegou a colocar em risco a realização do leilão, mas o governo agiu rápido e mobilizou um consórcio próprio, com participação da Chesf, sete empreiteiras e grandes consumidores de energia (Bertin), que venceu o leilão.

Com a assinatura do contrato de concessão, a próxima queda de braço será conseguir a licença de instalação para iniciar a construção do canteiro de obras.

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