Odebrecht, Camargo e Gutierrez podem participar do projeto

Empresas desistiram do leilão há uma semana, mas ainda podem ser contratadas pelo consórcio vencedor

Nicola Pamplona, Irany Tereza e Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Mesmo após derrota no leilão, as construtoras Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez podem ser chamadas a integrar o projeto de Belo Monte como contratadas do consórcio vencedor. A avaliação é de fontes próximas do governo, que não veem condições de concluir a obra sem a participação das maiores empresas do setor. "As três empresas participam do projeto desde o início, não tenho dúvida de que serão chamadas", resumiu uma fonte da Eletrobrás.

Odebrecht e Camargo Correa desistiram do leilão há uma semana, alegando que não viam atratividade no projeto, diante das condições estabelecidas pelo governo. Já a Andrade Gutierrez integrava o consórcio que perdeu a disputa de ontem. As três empresas ? principalmente as duas primeiras ? acompanharam de perto todo o desenvolvimento da usina, desde a década de 1970.

"São as únicas que sabem como construir esta usina", concorda o analista de energia da Corretora Ativa, Ricardo Corrêa. O consórcio vencedor conta apenas com a Queiroz Galvão, que tem experiência em hidrelétricas menores: a maior das sete usinas hidrelétricas de seu portfólio tem 390 megawatts (MW) de potência, ante os 11,2 mil MW de Belo Monte. E, mesmo assim, a empresa pode deixar o consórcio, por divergências com relação ao preço apresentado.

Para o presidente da Chesf, Dilton da Conti, porém, não há dependência dos três maiores grupos nacionais. "Nós não somos obrigados a contratar ninguém. Vamos decidir quem vai fazer parte deste negócio pela capacidade que a companhia tiver", afirmou. "Esta é a terceira maior usina do mundo. E leva o contrato quem tem condições de tocar adiante este empreendimento."

A inclusão da Queiroz Galvão como líder no consórcio pode ter atendido a um desejo do governo de capacitar novas empresas para obras do porte de Belo Monte. A pressão provocada pela desistência do consórcio formado por Odebrecht e Camargo Correa deixou algumas sequelas.

"Nós estamos muito reféns de poucas construtoras. São excelentes, de grande tradição, mas isso leva a um tipo de comportamento que às vezes não é interessante para o consumidor, para o Brasil. Ou você atende ao pleito ou eles não fazem", disse em entrevista concedida ao Estado na última sexta-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tomasquim.

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