Andre Penner / AP
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Odebrecht deixa de pagar juros e inicia renegociação de dívida de US$ 3 bi

Construtora anunciou que não fará o pagamento de juros no valor de US$ 11,5 milhões que venceram em 25 de outubro

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2018 | 12h14
Atualizado 27 de novembro de 2018 | 16h14

A Odebrecht Engenharia e Construção anunciou a seus credores, detentores de US$ 581 milhões bônus com vencimento em 2025, que não fará o pagamento do juro de US$ 11,5 milhões que venceram em 25 de outubro, de acordo com documento obtido pelo Estadão/Broadcast.

Desde essa data, a empresa vinha usando os 30 dias de carência, previstos em contrato, para fazer o pagamento. No mesmo comunicado enviado aos investidores, disse ter contratado a assessoria financeira Moelis & Company e os escritórios Munhoz Advogados e o Cleary Gottlieb Steen & Hamilton para dar início a discussões consensuais com alguns de seus principais credores.

Conforme antecipou a Coluna do Broadcast na sexta-feira, a construtora parte para a reestruturação de todos os bônus que têm emitidos no exterior, algo que os credores externos da companhia desconfiavam desde o início das investigações da Lava Jato, há cerca de três anos.

Nessas conversas estarão envolvidos papéis que, juntos, somam cerca de US$ 3 bilhões. Uma parte dos bondholders, credores que detêm cerca de 25% dos bônus da Odebrecht, contrataram a Rothschild. Entre esses credores estariam a BlackRock, o Fidelity, o Gramercy e o AllianceBernstein. Os credores especulativos ainda se organizam para entrar no processo.

Em abril, a empresa conseguiu evitar o início de tais conversas depois de receber parte de um empréstimo de R$ 2,6 bilhões de Bradesco e Itaú Unibanco concedidos à holding, dinheiro com o qual honrou um vencimento de R$ 500 milhões de bônus.

Na ocasião, a construtora também recorreu ao prazo de 30 dias de carência e, com consenso dos bondholders, acabou pagando o compromisso depois desse prazo. O atraso decorreu da demora nas negociações com bancos para obtenção do empréstimo, que envolvia as ações da Braskem como garantia, as quais já estavam dadas em outros empréstimos.

A Odebrecht chegou a sinalizar, quando os recursos foram liberados à holding, que boa parte migraria para a construtora, com o que os próximos pagamentos de vencimentos de bônus estariam garantidos, assim como a manutenção das operações da companhia.

Entretanto, a situação financeira da construtora se fragilizou sensivelmente este ano, frente às dificuldades para recompor sua carteira de obras, assim como do grupo em dar vazão à venda de ativos.

No final do segundo trimestre, a carteira de projetos da OEC havia sido reduzida a cerca de US$ 9,8 bilhões, de US$ 12,1 bilhões em dezembro de 2017. Seu caixa estava em US$ 456 milhões em junho.

No meio do ano, a Atvos, por exemplo, voltou à mesa de negociações com os bancos para reestruturar uma dívida que já alcançava quase R$ 13 bilhões e que já havia sido renegociada dois anos atrás. A Atvos, ex-Odebrecht Agroindustrial, foi a primeira empresa do grupo que teve seus passivos realinhados, para evitar um pedido de recuperação judicial, do grupo ou parte dele. As ações da Braskem foram dadas como garantia na ocasião a alguns bancos.

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