Odebrecht supera JBS em ranking de internacionalização

Segundo levantamento da Fundação Dom Cabral, construtora é a companhia com maior presença global

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2014 | 02h06

Um estudo divulgado ontem pela Fundação Dom Cabral (FDC) põe a Construtora Norberto Odebrecht na liderança da internacionalização de empresas no País, seguida por outros grupos tradicionais como Gerdau e InterCement (cimenteira da Camargo Corrêa).

Houve uma "dança das cadeiras" nas primeiras posições. A primeira por uma mudança de critérios em relação à pesquisa do ano passado, explicou a fundação. Os dados da Odebrecht, que antes analisavam o grupo como um todo, agora foram reduzidos à construtora. Os resultados, portanto, não refletem uma expansão expressiva dos negócios da companhia fora do Brasil no último ano.

A empresa ficou na liderança porque os dados consideram a importância relativa dos negócios no exterior para a empresa, e não a receita bruta. É por essa razão, segundo Sherban Leonardo Cretoiu, professor da Fundação Dom Cabral responsável pela pesquisa, que empresas como a mineradora Vale e a Petrobrás sequer aparecem no "top 10" do estudo.

Segundo o professor, a FDC usa um método da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) que relativiza a presença internacional das empresas com base em três dados: número de funcionários, total de ativos e faturamento fora de seu país-sede. No caso da Odebrecht, os três itens têm um peso médio de 54,7% para o negócio com um todo.

Dentro desse conceito, a líder no ranking da FDC até o ano passado era a companhia de alimentos JBS. Agora, a companhia aparece na oitava posição. Cretoiu afirma que não houve uma redução dos negócios internacionais da empresa.

O que aconteceu nesse caso foi uma expansão da JBS no mercado brasileiro, graças à aquisição da Seara, que antes pertencia ao frigorífico rival Marfrig. Com faturamento maior em território brasileiro, a importância relativa dos negócios internacionais da JBS diminuiu.

Expansão. Para Cretoiu, a pesquisa mostra uma evolução constante da busca das empresas brasileiras que já têm presença no exterior por novos mercados e oportunidades. Tanto é assim que o ímpeto das companhias por novos investimentos continua forte.

Segundo o levantamento, entre 66 empresas analisadas, 65% planejam uma expansão nos mercados em que atuam. Apenas 6% projetam uma retração, revelou o estudo. A intenção de abrir novos mercados é menor: do universo pesquisado, 56% disseram que não pretendem abrir filiais em novos países neste momento.

O professor da FDC disse ainda que não vê relação entre o desânimo da economia local - que deve crescer menos de 1% este ano, segundo a média das projeções de economistas - e uma busca mais intensa pelo crescimento externo. "Acho que as empresas, após adotarem essa estratégia, veem seus benefícios e tomam gosto por este tipo de operação e percebem que são capazes de ter um diferencial competitivo."

Além das gigantes industriais, de prestadoras de serviço em concessões e das indústrias de alimentos, a FDC identificou que médias empresas também estão sabendo aproveitar oportunidades no exterior - na metodologia da fundação, são consideradas "médias" empresas que faturam menos de R$ 1 bilhão por ano.

Entre as dez primeiras colocadas do ranking deste ano, encaixam-se nesta categoria companhias como a fabricante de refrigeradores comerciais Metalfrio, a indústria química Artecola e a empresa de pesquisas Ibope (veja quadro ao lado).

Regiões. A empresa com presença mais pulverizada é a prestadora de serviços em tecnologia Stefanini, hoje presente em 33 países. De maneira geral, no entanto, a presença das brasileiras é mais relevante, até pela proximidade geográfica, na América do Sul.

Ao serem questionadas pela Dom Cabral sobre qual seria seu principal mercado fora do País, quase 76% das companhias entrevistadas apontaram a América do Sul.

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