Odebrecht vence leilão do Madeira

Consórcio vai investir US$ 10 bi na usina Santo Antônio e surpreende mercado com tarifa 35% menor por Mwh

Leonardo Goy, Lu Aiko Otta, Gerusa Marques e Wellington Bahneman, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

O consórcio Madeira Energia, liderado pela Odebrecht, venceu ontem o leilão da Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira. Superando as expectativas mais otimistas do governo, o grupo aceitou receber R$ 78,90 por megawatt/hora (MWh), 35% abaixo dos R$ 122 do teto da tarifa fixado no edital.Foi tão surpreendente que o bolão dos integrantes do governo que acompanharam o leilão não teve vencedores. "Todos passaram longe", disse o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner. As ofertas concorrentes foram de R$ 94,00 (Camargo Corrêa) e R$ 98,05 (Suez/Eletrosul). Em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva festejou. "Estou feliz porque tivemos um deságio de 35%, que é uma coisa extraordinária", disse ele.A usina custará cerca de R$ 10 bilhões. A Odebrecht estima que as obras comecem até outubro de 2008. "A licença de instalação tem de sair em tempo hábil", disse o diretor da Odebrecht Investimentos Irineu Meirelles. As horas que antecederam a disputa foram marcadas por um protesto da Via Campesina. Os manifestantes chegaram a invadir a sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Depois de iniciado, o leilão durou apenas sete minutos. Em razão do preço baixo da energia, as ações das geradoras que integram o consórcio vencedor, como Eletrobrás, Cesp e Cemig, caíram na Bolsa de Valores de São Paulo. Aumentou também a preocupação com o risco de a energia no chamado "mercado livre" ficar muito cara. Santo Antônio, que terá potência de 3.150 MW, venderá 70% da produção às distribuidoras, no chamado mercado cativo, por R$ 78,87 o MWh. A diferença desse preço para os R$ 78,90 deve-se à aplicação de um desconto para beneficiar os consumidores das concessionárias. Os outros 30% serão vendidos no mercado livre, ao preço que a usina negociar.Fontes do setor estimam que essa parcela será vendida por Furnas/Odebrecht por R$ 150,00. Meirelles disse que já negocia com os consumidores livres o preço dos 30% da eletricidade a ser produzida. Mas não adiantou detalhes. "O mercado livre é livre", disse Hubner. Para o ministro, os contratos da Odebrecht com seus fornecedores pesaram a favor para que a empresa oferecesse preço tão baixo, mais até que a presença de uma estatal (Furnas) no grupo.O grupo vencedor é composto pela Odebrecht Investimentos (17,6%), Construtora Norberto Odebrecht (1%), Andrade Gutierrez Participações (12,4%), Cemig (10%), Furnas (39%) e Amazônia Energia (FIP), formado pelos bancos Banif e Santander (20%).

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