Odebrecht vende 14,3% de empresa de óleo e gás

Negócio, de US$ 400 milhões, foi fechado com a Temasek, estatal de Cingapura que faz sua primeira investida no petróleo no Brasil

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

A estatal de Cingapura Temasek Holdings anunciou ontem um aporte de US$ 400 milhões na Odebrecht Óleo e Gás (OOG), empresa do grupo Odebrecht que atua na prestação de serviços para a indústria petrolífera. A operação garante à Temasek 14,3% da OOG e adia por tempo indeterminado estudos para abertura de capital da companhia, que tem plano de investimentos de US$ 3,5 bilhões para os próximos três anos.

"A parceria (com a Temasek) garante nossos investimentos no curto e médio prazo", disse o presidente da OOG, Miguel Gradin. A empresa buscava soluções no mercado para garantir recursos para seu plano de investimentos, dentre elas a abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "No futuro, pode-se partir para uma nova capitalização ou IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês)."

A OOG tem hoje cinco contratos para construção e operação de sondas de perfuração de poços para a Petrobrás - quatro unidades estão em obras na Coreia do Sul e uma, nos Emirados Árabes Unidos. A primeira sonda chega ao País em dezembro e deve começar a operar já no início de 2011. Todas as unidades têm capacidade para perfurar poços na região do pré-sal.

O plano de investimentos da companhia prevê dobrar a frota de sondas até 2013, buscando novos contratos com a Petrobrás ou com outras companhias no Brasil e no exterior. Além disso, disse Gradin, a OOG quer expandir a atuação para a operação de plataformas de produção de petróleo e para a instalação de equipamentos submarinos em campos petrolíferos, área hoje dominada por empresas estrangeiras.

Nesse sentido, espera por novas licitações da Petrobrás ou de empresas privadas para definir o destino dos investimentos futuros. A única certeza, diz Gradin, é que o crescimento deve se dar com forte presença internacional, com foco na costa oeste da África, América Latina e no Golfo do México.

Crescimento. A companhia foi criada há cinco anos, como uma subsidiária da Odebrecht, e ganhou vida própria há três. Hoje, opera uma plataforma de produção no Mar do Norte e tem uma base de apoio a petroleiras em Macaé. Ao todo, tem mil empregados diretos, número que deve dobrar até 2013, segundo o executivo. "Essa operação conclui o processo de capitalização de todas as empresas do grupo. Todas estão com as finanças em dia", afirmou o diretor financeiro da Odebrecht, Paulo Cesena.

Do ponto de vista da Temasek, é o primeiro negócio no mercado brasileiro de petróleo e gás. "Já temos negócios em outros setores, como com a BR Properties e a Amyris, que é estrangeira mas tem ativos no Brasil, e vimos na Odebrecht uma boa oportunidade para capturar possibilidades de crescimento no setor de petróleo", diz o diretor-geral da Temasek no Brasil, Matheus Villares. Sem querer dar detalhes, ele diz que "está sempre conversando" sobre novas possibilidades de negócios no País, considerado um dos focos de atuação do Temasek, pela possibilidade de crescimento da economia".

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