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Ofensiva do governo argentino contra YPF caminha para reestatização

Casa Rosada quer reverter as elevadas importações de combustíveis no ano passado, de quase US$ 10 bi 

Marina Guimarães, correspondente da Agência Estado,

20 de março de 2012 | 13h32

BUENOS AIRES - O mercado tem poucas esperanças de um final feliz para a ofensiva de Cristina Kirchner desde meados de janeiro contra a YPF. A expectativa é que o governo termine decretando a reestatização da companhia, como já fez com outras empresas: Águas Argentinas, Correio, Aerolíneas Argentinas, Fundos de Aposentadorias e Pensões, Papel Prensa e várias outras de menor porte. Em todos os processos de reestatização, houve um período prévio de tensão e ofensivas - exceto no caso dos fundos de pensão, que pegou os mercados de surpresa.

A Casa Rosada começou o ataque às petrolíferas por causa das elevadas importações de combustíveis no ano passado, de quase US$ 10 bilhões. No cenário de crise internacional com repercussões nos países emergentes e uma enorme falta de divisas no país, a presidente quer reverter essa balança energética a todo custo para manter o superávit comercial entre US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões e garantir os dólares necessários para a economia.

A primeira medida contra a petrolífera foi a denúncia junto ao organismo antitruste, em janeiro, por "abuso de posição dominante" por causa do preço do óleo diesel. Na causa, embora o alvo principal da estratégia do governo seja a YPF, outras quatro companhias foram denunciadas, entre elas, a Petrobrás Argentina. Logo, começaram os boatos de estatização da YPF e os ativos da empresa iniciaram uma trajetória de queda que ainda não encontrou seu final. O governo proibiu a petrolífera de distribuir seus dividendos e determinou que esses recursos sejam reinvestidos no país.

Amanhã (21) haverá assembleia de diretoria da YPF, e o assunto deverá ser o principal tema da agenda. Na última reunião de diretoria, o representante do Estado, Roberto Baratta, secretário de Gestão do Ministério de Planejamento, levou a proposta de formar um fundo para exploração e desenvolvimento com os lucros não distribuídos de 2011 (cerca de US$ 1,3 bilhão) e de 2010 (cerca de US$ 229,8 milhões). A companhia, segundo fonte do setor, estaria disposta a atender ao pedido se o governo interromper a ofensiva contra a empresa.

Porém, fonte ouvida pela Agência Estado disse que os últimos sinais do governo são no sentido de avançar na reestatização parcial da companhia. Entre as hipóteses em discussão no mercado está uma provável lei que declare a petrolífera como "de interesse público". Também se comenta sobre a possibilidade de uma intervenção mais forte do Estado na YPF, mas por meio de medida mais moderada do que a estatização. Seria algum tipo de lei que permita ao Estado aumentar sua participação acionária mediante investimentos. O governo realizaria uma oferta pelas ações da Repsol YPF, que possui 58,23% de participação, manteria os sócios minoritários argentinos, o Grupo Petersen (família Eskenazi), que tem 25,46%. Ainda como opção, o governo poderia declarar de interesse público somente os hidrocarbonetos, a exemplo do que ocorreu na Bolívia.

Até o momento, o governo não desmentiu nem confirmou nenhuma das medidas que vem sendo comentadas pelos mercados. As informações que circulam entre a imprensa local e estrangeira são devido à série de consultas a advogados, analistas, acadêmicos e especialistas em energia para elaborar os documentos de justificativa legal para avançar no assunto. O estatuto da YPF reza que qualquer oferta superior a 14,9% da companhia deverá ser ampliada a 100% das ações da empresa. Até o dia 27 de janeiro, antes do início da ofensiva oficial, a empresa valia US$ 15,685 bilhões, conforme sua capitalização na bolsa. Desde então, esse valor sofreu uma queda de 30%.

Ferroviária

O governo argentino anunciou hoje que vai estender sua intervenção nas operações da companhia ferroviária TBA, que administra a linha de trem que registrou acidente do último dia 22 de fevereiro, deixando 51 mortos e 700 feridos.

A prorrogação segue-se às acusações do governo de Cristina Kirchner de que a empresa não está cumprindo com padrões de segurança. "O Ministério de Planejamento prorrogou por 15 dias a intervenção nas linhas ferroviárias de Mitre e Sarmiento para garantir a continuidade e regularidade do serviço público e assegurar a segurança dos usuários", diz um comunicado publicado no site do ministério na internet.

Os reguladores do governo argentino determinaram uma intervenção administrativa e técnica temporária na empresa Trens de Buenos Aires (TBA) no último dia 28 de fevereiro, com prazo para terminar hoje. A prorrogação deve-se a uma perícia ainda pendente no trem acidentado e também porque ainda não há um prazo para determinar a causa do acidente em bases legais, informa a medida publicada hoje no Diário Oficial da Argentina.

 

 

 

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