Adriano Machado/Reuters
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Oferta conjunta de Vivo, Claro e TIM pela Oi terá caminho difícil para aval no Cade

Vivo lidera atualmente o mercado de telefonia móvel por ampla margem

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 13h55

BRASÍLIA - O fato de Vivo, Claro e TIM terem apresentado no fim de semana propostas para a aquisição de fatias da Oi não necessariamente facilitará a aprovação de uma eventual divisão da empresa entre elas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Fonte do órgão ouvida pelo Estadão/Broadcast lembra que o setor de telecomunicações no Brasil já é bastante concentrado e que essa operação significaria na prática a união das três maiores companhias de telefonia móvel para a aquisição da quarta competidora.

Ainda de acordo com essa fonte, a análise concorrencial no setor de telefonia móvel tem uma série de nuances sobre abrangência da cobertura e disponibilidade de espectro eletromagnético. Isso dificultaria qualquer análise do negócio antes que haja mais informações sobre qual será a proposta de divisão dos ativos da Oi. Em qualquer cenário, ressalta, a concentração no setor aumentará.

Ano passado, a compra da Nextel pela Claro levou nove meses após seu anúncio para receber o aval do órgão antitruste. Apesar do Cade ter aprovado o negócio sem impor restrições em dezembro de 2019, o conselheiro relator do processo, Sérgio Ravagnani, ressaltou na ocasião que o mercado de telefonia móvel já apresenta grau de concentração significativo e, por isso, a autarquia deveria continuar atenta aos movimentos do setor.

De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Vivo lidera atualmente o mercado de telefonia móvel por ampla margem. A empresa controlada pela espanhola Telefônica detinha 33% de market share em maio – ou 74,38 milhões de acessos.

O volume estava bem à frente de Claro, que detinha 25,9% do mercado, ou 58,52 milhões de linhas ativas, já considerando a aquisição da Nextel (1,5%, ou 3,44 milhões de usuários). Na sequência vinha a TIM com 23,2% e 52,28 milhões de chips habilitados.

Já as operações da Oi que podem ser repartidas entre as três maiores empresas representavam 16,3% do mercado em maio, equivalentes a 36,69 milhões de clientes.

Em um cenário montado pelos analistas do Credit Suisse sobre o negócio, a TIM deve ficar com a maior parte dos ativos da Oi, levando 54% das operações e subindo para a segunda posição em tamanho da base de usuários dos serviços móveis. Nas estimativas do banco, restaria 24% das operações da Oi para a Vivo e 22% para a Claro.

Nesse cenário, apesar da saída de cena de um competidor, o poder de mercado entre as três maiores empresas no serviço móvel se tornaria mais equilibrado. A Vivo continuaria na liderança com 36,9% da base de usuários, seguida mais de perto pela TIM com 32%, e pela Claro com 29,5%.

Ou seja, a diferença entre o primeiro e o segundo competidor na telefonia móvel no Brasil cairia de 7,1 pontos porcentuais para 4,9 pp. Em relação ao terceiro, cairia de 9,8 p.p para 7,4 p.p.

O presidente o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, avalia que a divisão dos ativos da Oi deverá levar em consideração as diferenças regionais de penetração entre as outras companhias para receber o aval do Cade.

“Em alguns Estados uma operadora é líder com mais de 50% do mercado e outra tem uma participação pequena. A divisão das operações deve ocorrer por regiões, mas também por  frequências”, avalia. “Pela lógica, a TIM levaria uma fatia maior, até porque é a que tem menos espectro dentre as três. A Claro já possui mais frequências que as outras duas e, além disso, acaba de concluir a aquisição da Nextel”, completa.

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