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Oferta da BHP é aposta agressiva no aumento da demanda por alimentos

Companhia ofereceu US$ 38,6 bilhões pela Potash, a maior produtora de fertilizantes do mundo 

Ana Conceição, da Agência Estado,

18 de agosto de 2010 | 11h52

A oferta de US$ 38,6 bilhões feita pela BHP Billiton à Potash Corp. of Saskatchewan, maior produtora de fertilizantes do mundo, revela uma aposta agressiva de que as economias em desenvolvimento vão elevar a demanda por alimentos nos próximos anos, diz matéria do Wall Street Journal.

De acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), citadas pelo WSJ, a população mundial deverá crescer 57 milhões de pessoas por ano entre 2000 e 2050, quando chegará a 8,9 bilhões de indivíduos. E a urbanização crescente mais o aumento da renda vão exigir um aumento de 70% na produção agrícola global nesse período.

A BHP conta que China, Índia e outros países de rápido crescimento, terão que produzir mais alimentos, para manter certa independência de fornecedores externos. "É uma aposta de que os alimentos continuarão a ser algo precioso, e se tornarão ainda mais", disse Emerson Nafziger, professor de economia da Universidade de Illinois.

Em entrevista à agência Dow Jones, o gerente executivo da Federação das Indústrias de Fertilizantes da Austrália, Nick Drew, sublinha o aumento do interesse de grandes corporações pelos setores agrícola, de alimentação e fertilizantes. Além do crescimento vegetativo da população global, e da renda, ele cita a escassez de terra arável provocada pela degradação ambiental e pela urbanização, que tornará ainda mais necessário elevar a produtividade das lavouras, onde entra o uso mais intenso de fertilizantes. "A agricultura se tornará um mercado muito mais interessante nos próximos anos", avaliou.

A direção da Potash, maior produtora de fertilizantes do mundo, rejeitou a oferta da BHP, que agora vai levá-la aos acionistas da empresa, tornando-a hostil.

Drew disse que a mineradora BHP pode estar considerando o potássio como apenas uma outra commodity e que o valor oferecido à Potash seria baseado nessa visão. "Mas eu suspeito que o fato de eles estarem interessados é uma amostra de suas expectativas para o mercado de fertilizantes, o que é um reflexo do mercado de alimentos", considerou. Para ele, o futuro da agricultura será mais volátil e mais brilhante. "Veremos uma luta entre aumento de produtividade e demanda", disse.

E quando se fala em produtividade, China e Índia estão longe dos líderes. Enquanto os norte-americanos colhem dez toneladas de milho por hectare, os chineses produz cinco e os indianos pouco mais que duas. Embora exista uma série de razões para essa diferença de produção, como a disponibilidade de água e sementes transgênicas, o uso de fertilizantes é uma delas.

No mercado de fertilizantes, a demanda mundial caiu 7% na safra 2008/09 e depois subiu 3,7% em 2009/10, para 162,5 milhões de toneladas, de acordo com a Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes. A entidade estima que o consumo aumentará 4,8% em 2010/11. Em 2014/15, deverá alcançar 188,3 milhões de t, o que significará um crescimento médio anual de 2,5%. Se os preços das commodities agrícolas avançar nos próximos anos, os produtores terão mais incentivos para comprar adubos, afirmou Don Roose, presidente da corretora US Commodities, do Iowa (EUA).

O potássio é um importante nutriente que recupera o solo e eleva a produtividade das lavouras. As reservas globais do produto são relativamente limitadas e a Potash controla 20% da oferta mundial.

Disputa

A oferta da BHP deve iniciar uma longa disputa pelo destino da empresa, a joia da coroa do Canadá, país que tem nos recursos naturais a base de sua economia. De acordo com a matéria do Journal, analistas especularam se as mineradoras rivais da BHP, a brasileira Vale e a anglo-australiana Rio Tinto poderiam considerar uma contraoferta. A Vale, que recentemente comprou ativos de fertilizantes por US$ 3,8 bilhões, não quis comentar o assunto. A Rio Tinto não respondeu os pedidos de entrevista do jornal norte-americano.

Após recusar o valor oferecido pela BHP, o executivo-chefe da Potash Corp., William J. Doyle, não quis comentar que oferta seria adequado. Pessoas próximas à companhia disseram que um número atraente teria que levar em consideração o recorde alcançado pelas ações da empresa, de US$ 240 em meados de 2008. A BHP disse que sua oferta de US$ 130 para cada ação da Potash Corp. representa um prêmio de 20% em relação ao preço de fechamento do papel no dia 12 de agosto e um prêmio de 32% em relação à média de preço da ação nos 30 dias anteriores à apresentação da proposta. As informações são da Dow Jones.

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