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Oferta da Mittal é hostil e sem consulta prévia, diz Arcelor

A siderúrgica francesa Arcelor SA divulgou comunicado informando que tomou conhecimento da oferta lançada pela sua rival Mittal Steel, a maior fabricante de aço do mundo, pelas ações da Arcelor, "com o objetivo de adquirir uma participação controladora da companhia". A Arcelor ressaltou o caráter hostil da oferta, que "aconteceu sem discussões prévias ou consultas entre as duas empresas". A Mittal Steel anunciou nesta sexta-feira oferta de 28,21 euros (US$ 34,55) por ação da Arcelor. A oferta total da Mittal Steel pela siderúrgica francesa é de 18,6 bilhões de euros (US$ 22,78 bilhões).Segundo fontes próximas à transação, a comissão executiva da Arcelor SA vai se reunir no domingo ou na segunda-feira para discutir a oferta da Mittal Steel. A decisão sobre o dia da reunião, a ser realizada na sede da empresa em Luxemburgo, será tomada até a tarde de sábado. A comissão de trabalhos européia da Arcelor está reunida esta tarde para se inteirar dos detalhes da oferta.Será a maior sirúrgica do mundoA Arcelor Brasil, formada pelas empresas Belgo Mineira, Vega do Sul, Companhia Siderúrgica Tubarão e Acesita - representa 7% no faturamento da nova empresa a ser criada a partir da oferta que a Mittal está fazendo para comprar a Arcelor francesa. Os números foram compilados pelo analista Bruno Gomes Leite, da consultoria Lafis, a pedido da Agência Estado. Segundo ele, desconsiderando a Acesita, que ainda não foi incorporada ao grupo, a participação na receita bruta é de 5%. Se a oferta de compra for concretizada, considerando as aquisições feitas ao longo de 2005, a nova siderúrgica será seguramente a maior do mundo, responsável por cerca de 10% de todo o aço bruto produzido no planeta.Empresários brasileiros avaliam propostaO empresário Jorge Gerdau, dirigente do Grupo Gerdau, um dos maiores do setor siderúrgico nacional, ao analisar a oferta feita hoje pela Mittal para adquirir o controle da Arcelor, disse que esta negociação é uma aceleração do processo de consolidação do setor de siderurgia. De acordo com Gerdau, que está em Davos para o Fórum Econômico Mundial, "o grupo Acelor tem uma posição muito forte, tem praticamente 30% da siderurgia brasileira, e isto vinculado ao Mittal, fica um grupo mais forte ainda no Brasil".Já o presidente da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Roger Agnelli, classificou como um "jogo de gigantes" a oferta da Mittal pela Arcelor. "São as duas maiores siderúrgicas do mundo e, se juntá-las, nós estaremos falando 100 milhões de toneladas de produção de aço. A Arcelor, por exemplo, está aqui no Brasil na Belgo-Mineira, Acesita e CST", disse ele.Agnelli lembrou "que o que se busca hoje no mundo é um ganho de escala para reduzir custos e melhorar competitividade". "Fazer o jogo da consolidação", afirmou o executivo. Agnelli acredita que 2006 será um ano aquecido em fusões e aquisições, seja pela busca de custos menores e mais competitividade, mas também pela grande liquidez internacional. "Hoje, o capital não é mais restrição para investimentos. O que faltam mesmo são bons projetos", destacou.

Agencia Estado,

27 de janeiro de 2006 | 15h02

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