Renato Cerqueira/Futura Press
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Oferta de ações na Bolsa brasileira já chega a R$ 70 bi este ano

C&A e BMG estreiam na B3 na próxima segunda-feira; cenário de juros baixos criou ambiente mais favorável à renda variável

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 09h19

As ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) da varejista C&A e do Banco BMG puxaram o volume de ofertas na Bolsa brasileira neste ano para cerca de R$ 70 bilhões, encostando, assim, no montante recorde registrado em 2007, ano de ouro do mercado brasileiro, quando dezenas de empresas se tornaram públicas.

 

Juntos, os IPOs de C&A e BMG movimentaram R$ 3,2 bilhões - metade cada. Ambas tiveram suas ações precificadas nesta quinta-feira, 24, e estrearão no mesmo dia na B3, na próxima segunda-feira, 28. Até o fim do ano, os bancos de investimento esperam pelo menos outros R$ 15 bilhões em ofertas de ações, o que vai consolidar o melhor ano para o mercado de renda variável em termos de volume financeiro das ofertas.

O diferencial das ofertas no segundo semestre, em relação àquelas que ocorreram na primeira metade do ano, foi uma maior fatia de emissões primárias, ou seja, de novas ações que ao serem vendidas injetaram recursos ao caixa das companhias.

Desse montante, uma parte passou a ser direcionada para a expansão dos negócios. Nos casos de BMG e C&A, contudo, uma parcela pequena terá esse destino. Com os recursos, as empresas querem estar preparadas para a retomada da economia, que ainda não aconteceu.

O cenário de juros baixos no Brasil - a taxa Selic está em seu menor nível, em 5,5% ao ano - tem criado um ambiente muito favorável para o mercado de renda variável, com investidores caçando oportunidades em busca de mais rentabilidade para seus portfólios.

Além dos fundos de investimento locais, que estão muito capitalizados e participando ativamente das ofertas, pela primeira vez no País há uma demanda crescente de pessoas físicas, que têm aumentado exposição em investimentos em bolsa de valores.

Nas ofertas de C&A e BMG, a presença do investidor estrangeiro foi observada. No caso do BMG, três grandes fundos estrangeiros, considerados de qualidade, abocanharam uma fatia considerável da oferta, apurou o Estadão/Broadcast.

A captação líquida dos fundos de investimento no Brasil, até setembro, soma R$ 205,7 bilhões, quase quatro vezes a mais do que a entrada líquida no mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Segundo fontes de bancos de investimento, o movimento das companhias procurando bancos para as ofertas segue muito aquecido, o que deverá garantir novas operações até o fim do ano. A expectativa é de que mais IPOs ganhem espaço, a exemplo de outubro.

Além de C&A e BMG, Vivara também abriu capital. Com isso, no ano até aqui, a Bolsa brasileira foi palco de cinco IPOs. No primeiro semestre foram apenas dois IPOs, de Centauro e Neoenergia. O período foi dominado pelas ofertas subsequentes (follow ons), movimento que deve continuar até o fim do ano.

Até aqui, já foram 30 ofertas de ações, muito mais do que o número de 2018, com apenas cinco ofertas de ações na Bolsa brasileira. Neste ano, uma oferta de empresa brasileira foi realizada nos Estados Unidos, a Afya, grupo de educação voltado ao ensino de medicina. Outra neste ano que escolherá uma das Bolsas norte-americanas para o IPO é a XP Investimentos.

O ano poderia ser ainda melhor com a venda de ativos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), que em um primeiro momento era esperado para ocorrer de forma célere. Apesar da grande expectativa, as primeiras ofertas promovidas pelo banco de fomento devem ocorrer apenas no ano que vem.

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