Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Oferta de crédito total deve crescer 4,2% em 2018, diz presidente da Febraban

O impulso virá, segundo Murilo Portugal, das pessoas físicas, cujos empréstimos devem crescer 5,7%; no caso dos empréstimos com recursos livres para pessoas jurídicas a expansão será de 5,3%

Aline Bronzati, Cynthia Decloedt, Eduardo Laguna, Fernanda Guimarães e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 17h12

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, afirmou que o crédito no Brasil já está retomando e deve crescer em torno dos 4,2% no próximo ano, conforme pesquisa da entidade. O impulso virá, segundo ele, das pessoas físicas, cujos empréstimos devem crescer 5,7%.

No caso dos empréstimos com recursos livres para pessoas jurídicas, de acordo com Portugal, o crédito deve aumentar 5,3%, considerando as previsões dos bancos.

"O mercado espera, para 2018, aumento na oferta de crédito, continuação da queda nos juros, no spread bancário, e na inadimplência", destacou o presidente da Febraban, em almoço de fim de ano com o setor bancário.

Ele ressaltou que o segmento saiu mais forte da recessão do País do que entrou. Ao fazer uma retrospectiva dos 50 anos da Febraban, Portugal comemorou as conquistas da entidade e mencionou o ano de 2017 como um significado especial uma vez que marca o ano em que o Brasil começou a se recuperar de uma das mais profundas e longas recessões de sua história econômica.

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O presidente da Febraban destacou ainda que, desde que a recessão terminou no último trimestre do ano passado, o Brasil vai completar, no final deste mês, quatro trimestres de crescimento. De acordo com ele, o País deve crescer ao redor de 1% este ano.

"Pode parecer pouco, mas não devemos nos esquecer que em 2016 o PIB caiu 3,5% e que, neste último trimestre do ano, a economia já está crescendo a uma taxa de 2,2%. As estimativas para PIB no próximo ano apontam para um crescimento entre 2,5% a 3%", destacou Portugal. 

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Spread. Murilo Portugal, garantiu que o setor bancário vai continuar debruçado na redução de custos para baixar os spreads bancários, diferença de quanto um banco paga para captar e o quanto cobra para emprestar. "Na parte que lhes cabe na redução de custos para baixar o spread bancário, muito esforço está sendo feito pelos bancos para reduzir os custos da inadimplência e os custos operacionais e setor vai continuar trabalhando para reduzi-los", disse ele, em almoço de fim de ano do setor bancário.

Portugal rebateu ainda críticas em relação aos questionamentos sobre o porquê os juros ao consumidor e às empresas não caíram na mesma proporção da Selic e ainda estejam em patamares elevados. O presidente da Febraban explicou que a Selic é apenas um dos componentes do spread, que também é formado por custos de inadimplência, custos operacionais e tributos

Segundo ele, desde que o Comitê de Política Monetária iniciou a redução na Selic, em outubro de 2016, as taxas de juros nos empréstimos do crédito livre às pessoas físicas caíram 14,8 pontos porcentuais, de 74,3% ao ano (a.a.) para 59,5% a.a., e, no crédito livre às empresas, as taxas recuaram 7,1 p.p. (de 30,4% a.a. para 23,3% a.a.). No crédito livre total, conforme o presidente da Febraban, as taxas caíram 10,6 pontos porcentuais, mais do que a variação da taxa Selic, que foi reduzida em 7,25 p.p..

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"As mais relevantes medidas para melhorar ambiente de crédito do País, como a dificuldade em recuperar garantias oferecidas pelos empréstimos; a intrincada tributação sobre o crédito, com práticas que não existem em outros países, e outros fatores regulatórios que pesam sobre o spread, como os pesados depósitos compulsórios dependem de uma ação conjunta de toda a sociedade, envolvendo os bancos, os reguladores, o governo, o Congresso Nacional e o Judiciário", avaliou Portugal.

Ele disse ainda que a melhoria do ambiente de crédito é outra reforma estrutural importante que precisa ser feita no País. Defendeu uma reforma do ambiente de crédito com a remoção de obstáculos ao juro baixo. Essa é, conforme Portugal, a maneira de chegar à normalidade nas taxas de juros desejadas.

Concentração. Sobre a concentração bancária no Brasil, Portugal admitiu que essa é uma realidade do País, mas também no mundo. "Quero reafirmar que somos 100% a favor de mais competição e da livre iniciativa; que apoiamos, toda e qualquer medida que vise elevar a competição no setor bancário que não seja discriminatória", afirmou o presidente da Febraban. 

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