Oferta de megainvestidor e pacote nos EUA impulsionam bolsas

Warren Buffett ofereceu ajuda às seguradoras de bônus animou os negócios nas bolsas em Nova York

Agências internacionais,

12 de fevereiro de 2008 | 15h27

A notícia de que o megainvestidor Warren Buffett ofereceu ajuda às seguradoras de bônus animou os negócios nas bolsas em Nova York. Além disso, os investidores comemoram o plano de ajuda do governo norte-americano para evitar que proprietários de imóveis entrem em execução hipotecária. Às 15h20, o índice Dow Jones sobe 1,48% e a Nasdaq opera com alta de 0,84%. Veja também:Governo dos EUA e bancos anunciam plano contra crise No Brasil, desde ontem, os negócios acontecem do lado positivo. Nesta terça, além da justificativa de ontem - a economia brasileira está com bons fundamentos e não deve ser contaminada de maneira mais forte pelos EUA -, há ainda a influência positiva de Nova York. A Bolsa de Valores de são Paulo (Bovespa) opera com alta neste horário.  Buffett disse em entrevista para a CNBC que a sua empresa, a Berkshire Hathaway, fez uma proposta de ressegurar as seguradoras de bônus Ambac Financial Group, MBIA e FGIC. Ele afirmou que uma empresa rejeitou sua oferta e que ainda está esperando resposta das outras duas. A proposta cobre apenas os bônus municipais, disse Buffett, e não outros complicados instrumentos financeiros mais arriscados. "Como uma potencial solução para a bagunça das seguradoras de bônus, a notícia estimulou o otimismo dos investidores e as ações antes da abertura", disseram analistas da Action Economics. A notícia ajudou a aliviar as preocupações do mercado com relação à situação das seguradoras de bônus, que correm o risco de não conseguir manter seus ratings de crédito. As ações do Ambac Financial Group ganharam 1%, as do Citigroup operam em alta de 3,2%, Bank of America sobe 1,9% e Bear Stearns avança 0,8%. Já os papéis da MBIA foram na contramão, após reação inicial positiva, e caem 5,5%. Entre outros destaques, os papéis da GM devolveram as perdas iniciais e operam em alta de 1,8%. A montadora informou lucro melhor do que o esperado no quarto trimestre e anunciou que chegou a um acordo com o sindicato que permitirá reduzir seus custos trabalhistas no futuro. A GM obteve prejuízo líquido de US$ 722 milhões (US$ 1,28 por ação) no quarto trimestre de 2007, revertendo lucro de US$ 950 milhões (US$ 1,68 por ação) registrado em igual período do ano anterior. "Resposta forte" O economista-chefe do banco Lehman Brothers em Nova York, Ethan Harris, considerou "agressiva" a ajuda anunciada hoje pelo investidor Buffett às seguradoras de bônus. Ele propôs resseguro de até US$ 800 bilhões em bônus municipais. "Na verdade, foi uma resposta mais forte que a do Fed e do pacote de Bush (à crise). Foi mesmo muito agressiva", afirmou em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.  Harris se refere aos cortes de 2,25 pontos percentuais para 3% dos Fed Funds de setembro de 2007 até janeiro deste ano, incluindo um corte em reunião extraordinária, e ao pacote de estímulo fiscal de US$ 170 bilhões do governo de George W. Bush. "Acho que todas essas medidas servem para estancar o risco de recessão e evitar que os problemas fiquem piores", comentou.  Segundo o economista, esse conjunto de medidas pode sim ajudar a economia americana, que nesse momento beira a recessão. "Não acho que de fato os EUA entrarão em recessão, mas o crescimento será bem fraco e poderá ficar em zero, beirando a recessão e dando a sensação de que há recessão", explicou. Harris espera que o PIB dos EUA fique em 1,5% este ano, depois de ter crescimento de 0,5% no primeiro trimestre e 0% no segundo. A partir de então, segundo ele, a economia poderá sentir os efeitos do pacote fiscal de Bush. "Mas o próximo ano também será duro. Não vejo 2009 como um ano forte. A economia só deve começar a crescer com mais força a partir de 2010", avaliou o economista.  Ele disse ainda que a exemplo de Buffett, outros grandes investidores, como George Soros, e fundos soberanos de outros países poderão "socorrer" a economia americana pelo fato de o momento ser de "oportunidades". Segundo ele, é o momento de comprar assets a preços baixos.  Além do mais, segundo ele, é preciso aproveitar o momento atual, pois existe a preocupação que a mudança no quadro político após as eleições presidenciais altere políticas para os investidores estrangeiros. Por enquanto, disse Harris, nenhum político ousaria se opor a qualquer ajuda vinda de fora. "Agora é o momento de boas oportunidades. As empresas americanas precisam de apoio (financeiro)".

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