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Oferta de trigo importado e colheita no Brasil derrubam preços

Preços no mercado brasileiro recuaram cerca de 30% em relação aos picos registrados em maio

ROBERTO SAMORA, REUTERS

25 de agosto de 2008 | 17h00

Os preços do trigo no mercadobrasileiro recuaram cerca de 30 por cento em relação aos picosregistrados em maio, agora que o país conta com uma oferta maisabundante do cereal importado e inicia a colheita de uma grandesafra, disseram especialistas do setor. O retorno do trigo da Argentina ao mercado internacional,depois de o país ter limitado vendas externas na maior parte doano, também colabora para a depreciação do produto nacional,acrescentaram as fontes. Os argentinos são os principaisfornecedores do cereal ao Brasil. A opção dos moinhos pelo trigo importado, considerandoainda que alguns dos primeiros lotes colhidos no Brasil tomaramchuvas e por isso estão com qualidade inferior aos padrõesadequados, é outro fator baixista para o produto brasileiro. "Os moinhos estão abastecidos e sem pressa para comprar...E tem trigo disponível nos portos para carregar", declarou ocorretor Alexandre Maron, da Trigo Branco, no Paraná, o maiorEstado produtor brasileiro e referência de mercado. Segundo o corretor, os negócios domésticos estãopraticamente paralisados, uma vez que produtores não se mostrammuito interessados em comercializar o grão a valores que,segundo alguns, mal pagam os custos de produção. O preço do trigo ao produtor paranaense, que chegou aatingir patamares recordes de 700 reais por tonelada em maiodeste ano, quando o país estava no pico da entressafra e aindanão havia muita oferta do cereal importado, caiu para atuais490 reais (queda de 30 por cento), de acordo com dados daOrganização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). As altas cotações verificadas em maio obrigaram o governobrasileiro a se mexer, para evitar um maior impacto nainflação. Naquele mês, foi autorizada a isenção de Pis/Cofinspara os produtos da cadeia do trigo, além de ter ampliada acota isenta de tarifa para a importação do produto de origensfora do Mercosul. PRODUTOR QUER AJUDA Se as medidas --especialmente a isenção de tarifa para otrigo importado dos Estados Unidos e Canadá-- ajudaram a elevara oferta do produto e aliviar a pressão inflacionária, agoratêm um impacto negativo para o agricultor. O cotação atual no Paraná está apenas um pouco acima dos480 reais por tonelada do preço mínimo definido pelo governofederal, e integrantes da cadeia produtiva já pedem medidasgovernamentais que evitem uma maior desvalorização, até porquea colheita no país só começou recentemente e o volume de trigoargentino no Brasil tende a aumentar. Entre janeiro e julho, o Brasil importou, segundo oMinistério da Agricultura, 3,8 milhões de toneladas, ante 4,5milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. A maiorparte desse volume chegou em janeiro, fevereiro e março, e emabril e maio os desembarques não passaram de 200 mil toneladas,para um consumo mensal no país de aproximadamente 800 miltoneladas. Em julho, as importações brasileiras já subiram para níveisrelativamente normais, de 570 mil toneladas, impulsionadas pelachegada de 420 mil toneladas do produto norte-americano ecanadense. Além do maior volume importado, o Brasil começou a colheruma safra de 5,4 milhões de toneladas, ante 3,8 milhões detoneladas em 2007. O Paraná já colheu 5 por cento de sua safraestimada em 2,9 milhões de toneladas. Diante dessa expectativa de colheita maior, o gerentetécnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra, disse que ogoverno teria de lançar mão, rapidamente, de instrumentos desustentação de preços, para garantir renda aos agricultores. "Esse excedente vai prejudicar o produtor que está colhendoagora", disse ele, afirmando ainda que o setor produtivo, queapostou no trigo no embalo dos preços altos, é contra aampliação do prazo de 31 de agosto para moinhos importarem ocereal fora do Mercosul com isenção de tarifa. (Edição de Denise Luna)

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