Oferta de vôos do Brasil para os EUA cai pela metade

A oferta de vôos de companhias brasileiras para o mercado americano encolheu à metade desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. No dia anterior à tragédia, empresas brasileiras realizavam 64 vôos por semana para o país. Agora, fazem apenas 31. Com isso, a participação de mercado na rota despencou de 38% para 28%, ao contrário da empresas americanas, cuja fatia avançou de 62% para 72%.Os dados foram levantados junto à Comissão de Estudos Relativos à Navegação Aérea Internacional (Cernai), vinculada ao Comando da Aeronáutica, e demonstram o encolhimento da presença das empresas de bandeira nacional no tráfego internacional. Ao todo, antes do atentado, empresas brasileiras e estrangeiras realizavam 169 vôos por semana entre os dois países. Hoje, realizam um terço a menos. O terrorismo e a baixa atividade econômica global afetaram a demanda.A diferença é que antes do 11 de setembro as companhias americanas realizavam os 105 vôos a que tinham direito pelo acordo aéreo bilateral, quantidade que caiu para 81, segundo os dados da Cernai. Apesar de diretamente afetadas pelo terrorismo, o encolhimento da oferta americana para o Brasil foi de 23%, praticamente metade da taxa de redução da oferta brasileira - que também foi influenciada pela paralisação da Transbrasil, que tinha sete vôos semanais, mas deixou de operar no fim de 2001.A desproporção de forças explica a perda de mercado, segundo o ex-presidente da Infraero Fernando Perrone. "As empresas brasileiras são anãs comparadas às americanas", afirmou. Segundo ele, a competição entre as empresas dos dois países é desigual. As empresas nacionais têm custo de capital superior e grande parte das compras e dívidas ligadas à variação cambial, o que reduz o fôlego de competição, além de elevada carga tributária.

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