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Ideia de participar de um IPO é atraente, mas é melhor deixar emoção de lado e pesquisar antes

Há vários motivos que levam as empresas a entrarem no mercado, porém grau de assimetria de informações é alto; empresas não lançam ações quando acreditam que a empresa estão mal avaliadas pelo mercado

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2021 | 04h00

Os sinais de recuperação econômica, associado a outros fatores, como o desempenho das empresas exportadoras de commodities e o avanço da vacinação, têm animado o mercado, a despeito do susto com a inflação. A reação que está ocorrendo provoca que o Ibovespa bata novos recordes, a taxa do dólar caia e está abrindo nova janela de oportunidade para que novas empresas se lancem no mercado realizando ofertas iniciais de ações (IPO, em inglês).

Segundo dados da B3, o volume total de ofertas de ações, entre IPOs e follow-ons, até abril deste ano, foi de R$ 54,75 bilhões, o que representa mais de 45% do total de emissões de 2020. O volume negociado somente de IPOs foi de R$ 37,2 bilhões no período.

As projeções de mercado são otimistas e dizem que a nova janela pode gerar até R$ 30 bilhões de novas emissões. Boas notícias. Os investidores ficam mais propensos a aceitar riscos, e a ideia de participar de um IPO é atraente, para alguns algo irresistível.

As empresas que estão se listando na Bolsa são companhias atuantes em setores de destaque no momento e despertam muito o apetite dos investidores. Embora repetitivo, é importante alertar que esse tipo de operação é altamente especulativo. Há vários motivos que levam as empresas a entrarem no mercado, desde busca de capital para investimentos, prover liquidez para os sócios, imagem, mas, também, para socializar o risco.

O grau de assimetria de informações é alto. As empresas não lançam ações quando acreditam que a empresa estão mal avaliadas pelo mercado.

As companhias, para poderem oferecer ações no mercado, divulgam planos com perspectivas de desenvolvimento, tendo como base a implementação de um conceito, produto, estratégia ou nova abordagem comercial. No entanto, essas premissas e consequentes projeções estão sujeitas a inúmeras incertezas.

É importante que o investidor interessado pesquise sobre o setor e a empresa. Invista em empresas do setor que você entende, do modelo de negócios, conheça os aspectos financeiros e os termos da operação. Principalmente no caso das empresas jovens, notadamente companhias menores e de crescimento rápido. Essas companhias tendem a ter históricos operacionais limitados, equipes de gerenciamento imaturas e quantidade limitada de produtos ou clientes.

Não deixe de consultar os fatores de risco divulgados nos documentos de emissão de ações. Deixe a emoção de lado, apostando que pode ganhar muito dinheiro. Isso efetivamente não é investir. Apenas para ilustrar um dos IPOs ocorridos em nosso mercado em 2019, entre a data de lançamento até agora, houve ações com ganhos acima de 180%, caso da Centauro, mas há quedas de preços acima de 57%, como ocorrido com o BMG.

Invista nesse tipo de operação só o dinheiro que você pode perder. Trato o IPO como qualquer outra de suas aplicações, mantendo-se grau de risco conforme a sua estratégia de investimento. 

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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