OGPar precisa devolver plataformas para sobreviver, diz presidente

De acordo com Paulo Narcélio, que comanda a petroleira, acordo com os donos das plataformas em operação em Tubarão Azul e Tubarão Martelo é a única opção para a empresa não ir à falência

MARIANA SALLOWICZ , O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2015 | 02h05

RIO - Após fechar novo acordo na semana passada com os credores que injetaram recursos na companhia em meio à recuperação judicial, a OGPar (ex-OGX), petroleira fundada por Eike Batista, tem pela frente um desafio, do qual depende a continuidade das suas atividades. A afirmação é do próprio presidente da empresa, Paulo Narcélio.

Segundo o executivo, a empresa precisa fechar com urgência a negociação com os donos dos direitos de aluguel das plataformas em operação nos dois únicos campos em que produz, Tubarão Azul e Tubarão Martelo, ambas na Bacia de Campos. A ideia é devolvê-las e, assim, reduzir custos.

As conversas já começaram com os donos dos direitos da OSX-1, em Tubarão Azul, mas, no caso da OSX-3, de Tubarão Martelo, os donos estão brigando na Justiça com a petroleira (leia a matéria ao lado).

Caso o acerto não seja fechado, o executivo diz que a falência é uma opção, apesar de a companhia "estar batalhando para evitá-la". "Perseguimos o cenário necessário para salvar a companhia, que é ter sucesso na negociação com os donos das plataformas OSX-1 e OSX-3. É a única opção que nos daria a garantia hoje de não irmos à falência", afirmou Narcélio.

A OSX, também fundada por Eike e em recuperação judicial, cedeu os direitos creditórios do arrendamento das plataformas para seus credores. Um grupo, com credores noruegueses e instituições financeiras, é responsável pela OSX-1 e outro, bondholders liderados pela Nordic Trustee, pela OSX-3.

Petróleo. Diante da forte queda da cotação do petróleo desde o ano passado, o plano da companhia é devolver as plataformas, interromper a produção e encontrar uma solução mais barata para a operação de Tubarão Martelo até meados de 2016.

"Isso implicaria em termos uma FPSO (navio-plataforma) mais barata", afirmou o presidente da OGPar. "Após encontrarmos a plataforma, vamos manter a produção até quando for economicamente viável. Já estamos procurando outros fornecedores", explicou.

A produção em Tubarão Azul, no entanto, deve ser interrompida, o que já era previsto desde o ano passado. O custo é elevado porque as plataformas foram superdimensionadas para a produção dos campos e, com a queda do petróleo, tornaram as operações inviáveis.

Ao mesmo tempo em que é penalizada pela crise, a empresa quer aproveitar o momento para negociar com fornecedores uma plataforma para Tubarão Martelo. O executivo não informa qual o valor que empresa quer pagar, mas atualmente são US$ 130 mil por dia.

O valor foi reduzido no final do ano passado por decisão liminar na Justiça, antes eram US$ 250 mil diários.

Negociação. No caso dos credores da OSX-1, em Tubarão Azul, a negociação neste momento gira em torno de valores, afirma Narcélio. "A nossa proposta é que eles levem a embarcação e prestem garantias de abandono para a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). A forma de fazer a devolução está sendo discutida", disse. No dia 24, executivos da petroleira se reúnem em Londres com esses credores da OSX para dar prosseguimento às conversas.

A preocupação gira em torno da plataforma que está em Tubarão Martelo, a OSX-3. "Nossa proposta é muito clara: devolvemos a plataforma, podemos transferir temporariamente a gestão do campo para eles, que pagam todos os custos de abandono", detalhou o executivo.

Para Narcélio, esses credores da OSX "não perceberam ainda que, se provocarem a falência da companhia, podem perder" a embarcação. "Não estão muito colaborativos. O barco vai ficar como garantia para o abandono", afirmou o executivo.

Saída. Com a previsão de interromper a produção de Tubarão Martelo e Tubarão Azul, na bacia de Campos, a OGPar planeja se manter em atividade com valores que tem a receber pela venda de ativos até ter receita com o bloco BS-4, nos campos Atlanta e Oliva, na Bacia de Santos, do qual tem 40% de participação. A extração do primeiro óleo está prevista para o segundo trimestre de 2016.

A empresa também negocia a venda de outros ativos, num total de cerca de US$ 30 milhões. "Temos recebíveis, da venda da participação da Parnaíba Gás Natural (PGN) e recursos da venda dos ativos da Colômbia, que juntos devem permitir a sobrevivência da companhia até o primeiro óleo do BS-4", disse o presidente da companhia, Paulo Narcélio. A previsão é que R$ 210,6 milhões da PGN entrem no caixa até setembro.

O executivo reafirmou que o futuro da companhia é o BS-4, no qual é parceira da Queiroz Galvão Exploração e Produção (operadora e dona de 30%) e da Barra Energia (30%). "Vai representar, a partir do ano que vem, o recomeço enquanto companhia capaz de atrair investimentos e voltar a crescer. Hoje, o ritmo é de encolhimento, de adequação à nova realidade do petróleo." A empresa, diz ele, está em dia com pagamentos dos investimentos para início da produção do BS-4. Narcélio diz também que a empresa está colocando à venda participações em blocos exploratórios. "São fatias em quatro blocos, dois na bacia do Ceará e dois na margem Potiguar. E temos alguns equipamentos em estoque." 

"O que temos feito é preservar caixa e nos financiar com fornecedores da operação, que são barcos de apoio, fornecedores de óleo diesel. Não pagamos a fatura do mês", diz. Apesar disso, Narcélio evita falar em atraso. "Prefiro dizer que estamos nos financiando. Não são valores significativos e pretendemos colocar isso em dia até agosto."
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