OGX fura poço na área do pré-sal

Empresa de Eike Batista é dona de 65% da área, e sua meta é atingir 4,226 mil metros de profundidade

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

A OGX, braço no setor de petróleo e gás natural do Grupo EBX, de Eike Batista, começou ontem a perfurar, em parceria com a dinamarquesa Maersk, operadora do projeto, uma área na Bacia de Santos. O poço, no bloco BM-S-29, tem meta de atingir 4,226 mil metros de profundidade, em lâmina d?água de 101 metros. As empresas não falaram ontem a respeito, mas geólogos independentes dizem que a perfuração pode ultrapassar a camada de sal. Apesar de não ser a operadora, a OGX tem 65% da área. O bloco foi inicialmente arrematado pela Maersk em parceria com a Shell, por R$ 15 milhões, no quarto leilão de áreas exploratórias da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2002. Em 2008, a Shell vendeu sua fatia de 50% para a OGX. Em junho deste ano, a OGX comprou outros 15% da Maersk. O primeiro poço na área, chamado de Abacate 1, está sendo perfurado pela sonda Sovereign Explorer, da Transocean, usada recentemente pela Repsol no prospecto de Vampira, no bloco vizinho, o BM-S-48, onde foi encontrado óleo leve. "O aumento de nossa participação no bloco reflete nossa expectativa positiva quanto ao seu potencial", disse Paulo Mendonça, diretor geral da OGX, em teleconferência para a divulgação de resultados.A estimativa é que a perfuração do poço leve aproximadamente três meses para alcançar cinco objetivos mapeados. Além do bloco BM-S-29, a OGX deve iniciar sua campanha exploratória em mais cinco blocos em que possui 100% de participação, na Bacia de Campos e na de Santos, ainda em 2009. Já para setembro está prevista a perfuração do primeiro poço no prospecto Vesúvio, localizado no bloco BM-C-43, na Bacia de Campos. A sonda Ocean Ambassador, fornecida pela Diamond Offshore, deverá levar 45 dias para perfurar todos os níveis mapeados. A empresa detém participações em 22 blocos no País, com uma área total de 7 mil quilômetros quadrados nas Bacias de Campos, Santos, Espírito Santo e Pará-Maranhão. Segundo estudo contratado há dois anos pela OGX à DeGolyer & MacNaughton, empresa de consultoria em certificação de reservas no setor de petróleo e gás, os blocos arrematados pela OGX possuem potencial de reservas estimadas em média de 20,180 bilhões de barris, dos quais estima-se a possibilidade de serem retirados 4,835 bilhões. A empresa já está renovando esse estudo, que utiliza dados sísmicos recém-obtidos nas Bacias de Campos e do Espírito Santo. A expectativa é que o estudo esteja concluído até outubro. A empresa fechou o segundo trimestre com caixa de R$ 7,9 bilhões. A valorização do real durante o período impactou positivamente os resultados da empresa.

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