finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

OGX obtém licença ambiental para produção no campo Tubarão Martelo

A OGX, petroleira do empresário Eike Batista, recebeu o aval do Ibama para iniciar a produção nos blocos BM-C-39 e BM-C-40, no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos (RJ). A licença de operação do órgão ambiental era a última pendência para a retirada do primeiro óleo da área, a grande aposta da companhia para se reestruturar em meio ao processo de recuperação judicial.

MARIANA DURÃO / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2013 | 02h16

O campo passou a ser a única esperança de produção relevante da OGX. Os planos para os campos de Tubarão Tigre, Areia e Gato caíram por terra e a empresa anunciou também a suspensão da produção de Tubarão Azul a partir de 2014.

Assinado ontem pelo presidente do Ibama, Volney Zanardi Júnior, o documento dá sinal verde para as atividades de "desenvolvimento e escoamento" de petróleo no campo até 28 de novembro de 2017. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) aguarda que a OGX apresente uma revisão do plano de desenvolvimento de Tubarão Martelo até 31 de dezembro de 2014, mas isso não impede o início da produção no local.

A boa notícia veio em meio a uma nova rodada de negociações com os detentores de bônus internacionais da OGX. O objetivo da Angra Partners, que conduz o processo de reestruturação do grupo X, é que, além de converterem sua dívida de US$ 3,6 bilhões em ações da petroleira, os credores concordem em injetar US$ 150 milhões em novos recursos para viabilizar suas operações.

O acordo para converter em participação acionária as dívidas dos principais credores da petroleira diluirá a menos de 5% a posição de Eike na petroleira. O empresário, entretanto, permanecerá como importante acionista indireto. Ele tem 66% na OSX, dona de uma dívida estimada em R$ 2,4 bilhões na lista de credores da OGX.

A OGX, que amargou prejuízo de R$ 2,1 bilhões no terceiro trimestre, prevê ficar sem caixa na última semana de dezembro. No pedido de recuperação judicial, a OGX afirma que Tubarão Martelo poderá gerar receitas de US$ 11 bilhões, sem especificar em que período. No processo, a companhia registra dívidas de R$ 11,2 bilhões.

Procurada, a OGX declarou apenas que "o primeiro óleo ocorrerá no 4º trimestre de 2013". A plataforma OSX-3, que fará a operação do campo, está pronta para entrar em atividade. Segundo uma fonte, a OSX - dona do equipamento OGX - já poderia cobrar a taxa diária de afretamento, cuja média é de US$ 383 mil. A OSX-3 tem capacidade para armazenar produção diária de até 100 mil barris.

Na semana passada a malaia Petronas desistiu da compra de 40% de Tubarão Martelo. O negócio seria de US$ 850 milhões. O caso vai a litígio.

Reservas. Em outubro a OGX informou que as reservas de Tubarão Martelo correspondem a menos de um terço do que o estimado em 2012. Na época, a companhia divulgou que as reservas somavam 285 milhões de barris de óleo equivalente. Novo relatório da consultoria DeGolyer & MacNaughton (D&M) apontou que os blocos têm reservas de 87,9 milhões de barris.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.