Tasso Marcelo/AE-11/11/2010
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OGX perde R$ 10,9 bi de valor na bolsa

Ações da empresa de petróleo do grupo EBX, do empresário Eike Batista, despencaram 17% ontem; o argumento para a queda foi que os investidores se mostraram desapontados com os números de reservas de petróleo apresentados na sexta-feira

Kelly Lima / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

A OGX, petroleira do grupo de Eike Batista, perdeu ontem R$ 10,9 bilhões de seu valor de mercado por causa da frustração de expectativas em relação à revisão de seu portfólio. Na última sexta-feira, com base em auditoria da consultoria DeGolyer & MacNaughton (D&M), a companhia havia revisado o potencial de suas reservas de 6,8 bilhões para 10,8 bilhões de barris de óleo equivalente.

O aumento de 58,8% sobre a última projeção, feita em setembro de 2009 pela mesma consultoria, foi recebido na sexta-feira como uma boa notícia, embora conservadora na visão da empresa. Mas, ontem, no primeiro pregão da Bovespa após o anúncio, as ações da OGX despencaram 17%, puxando para baixo não somente outras empresas do grupo, como também a petroleira HRT, que vinha sendo vista como uma "cópia", com desempenho e perspectivas semelhantes.

"Parece que, de repente, o mercado acordou para os riscos do setor de petróleo", comentou o analista do Banco do Brasil, Nelson Rodrigues Matos. Numa primeira leitura logo após o relatório divulgado no final da tarde de sexta-feira, as ações da empresa chegaram a subir 3,5% no "after market", período que sucede o fechamento do pregão, às 17h30.

A euforia, porém, deu lugar à frustração ontem, logo pela manhã, quando começaram a ser divulgados relatórios de bancos com as análises da revisão de portfólio. Em teleconferência, o empresário Eike Batista chegou a ser ríspido com um analista.

Ao ser indagado sobre a elevada taxa de retorno fixada pela OGX para suas áreas - 49%, ante 25% estimados pela D&M -, ele afirmou que se recusa a aceitar esse padrão. Para as áreas do pré-sal de Santos, a Petrobrás também estima retorno de 25%.

"Estamos num mundo digital, em que temos novas tecnologias de exploração. A consultoria (D&M) já mostrou ao mercado o quão conservadora é. Eu respeito, mas estou avaliando a possibilidade de contratar outros relatórios no futuro. Seria interessante que os analistas avaliassem dois ou três relatórios de consultorias diferentes antes de emitir suas opiniões", protestou.

Detalhes. A maioria dos relatórios de instituições financeiras divulgados ontem consideraram que houve falta de detalhamento e frustração em relação à confirmação de reservas. "O mercado estimava pelo menos 4 bilhões de barris contingenciados na Bacia de Campos, e vieram só 3 bilhões", disse um analista, que preferiu não se identificar, lembrando que a OGX vinha trabalhando com uma margem entre 2,3 bilhões e 5,4 bilhões de barris.

O temor dos analistas com relação à taxa de retorno é de que, com a perfuração de novos poços em suas áreas na Bacia de Campos, Parnaíba e na Colômbia, a OGX não confirme o volume que vem sendo projetado com base em 19 poços perfurados. "Existem poucos poços perfurados para basear essa análise", avalia relatório do banco americano Morgan Stanley, destacando ainda a "complexidade da rocha naquela área".

Apesar de os relatórios considerarem no geral como positivo o relatório da D&M, o impacto negativo nas ações da OGX foi tido como inevitável diante das "incertezas relativas aos reservatórios, falta de planos para desenvolver volumes de hidrocarbonetos na área e falta de definição quanto à viabilidade econômica de tais desenvolvimentos", como citou a corretora Planner.

No primeiro documento preparado pela D&M em 2009, os dados foram apresentados de forma ainda incipiente e o mercado esperava um maior detalhamento na nova análise. Uma das dúvidas, por exemplo, foi com relação ao desenvolvimento das áreas e como financiar essa etapa exploratória.

Para o banco americano Merrill Lynch, a OGX pode terminar 2011 com menos de US$ 1 bilhão em caixa, o que deve exigir que a companhia vá ao mercado. Na teleconferência, Eike Batista disse que vai levantar recursos tanto com emissão de bônus, quanto com o mecanismo "oil financing", que já foi utilizado pela Petrobrás, e que implica em uma venda antecipada de óleo. "A ideia é não diluir o acionista minoritário", disse Eike, lembrando que terá recursos também com a venda de 10% de seus ativos na Bacia de Campos.

Obrigações

US$ 11,8 bi

é a necessidade de financiamento da OGX para os próximos cinco anos, de acordo com

relatório do Merrill Lynch

53%

seria a relação entre a dívida líquida e o capital da empresa, caso a OGX venha a conseguir

captar esse total de recursos

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