OGX tem 95% de sua dívida atrelada ao dólar

Desvalorização do real complica ainda mais a situação da companhia; Eike Batista, dono do Grupo EBX, do qual a petroleira faz parte, informou nesta quinta-feira ter concluído reestruturação

Mônica Ciarelli, Wellington Bahnemann e Vinicius Neder, da Agência Estado,

13 de junho de 2013 | 17h57

RIO - Em plena crise de confiança, o Grupo EBX terá de lidar agora com outro problema: a disparada do dólar frente ao real. Entre as companhias do grupo, a petroleira OGX lidera o ranking das mais endividadas em moeda estrangeira.

Pelo balanço do primeiro trimestre, a companhia tem 95% da dívida atrelada ao dólar, cifra que correspondia, em 31 de março, data do último balanço divulgado pela empresa, a R$ 7,6 bilhões.

A situação da OSX não é muito melhor. A aposta do empresário Eike Batista no segmento de construção civil tem 70% do seu endividamento atrelado ao câmbio, algo em torno de R$ 5,4 bilhões, também pela data do balanço. Estudo feito pela consultoria Economática mostra que 35,61% desse total se referem a dívidas de curto prazo, o que poderia pressionar o caixa da companhia.

Neste momento de disparada do dólar frente ao real, a situação mais confortável é a da mineradora MMX, que tem 34% das dívidas indexadas à moeda estrangeira. Nos relatórios, as companhias do grupo não informam se fizeram operações de proteção para esses endividamentos.

A companhia de logística LLX tem 64,37% de suas dívidas atrelados ao dólar e a MPX, de energia, contabiliza um porcentual de 42,8%. As relações de dívida em reais e em moeda estrangeira de OSX, LLX, MMX e MPX foram calculadas pela consultoria Economática. Os dados da OGX foram obtidos pelo Broadcast a partir de demonstrações financeiras da empresa arquivadas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O grande endividamento das empresas do grupo vem preocupando investidores. Os rumores sobre uma reestruturação mais ampla da dívida das empresas de Eike Batista cresceu nos últimos dias. A expectativa, segundo um analista que não quis se identificar, é que Eike apresente uma proposta aos principais credores convertendo parte ou a totalidade da dívida em participação acionária.

Entretanto, destacou, não será uma batalha fácil, diante da delicada situação da companhia. Esta semana, o empresário jogou ainda mais lenha na fogueira ao ter revelada a venda no mercado, no fim de maio, de ações de sua propriedade na OGX. Sua participação foi reduzida de 61,1% para 58,9%.

Reestruturação. Eike divulgou em nota ter concluído a reestruturação da dívida. Existem, diz ele, "tão somente dívidas com vencimento de longo prazo, em clara evidência ao elevado comprometimento do Grupo EBX para com as obrigações perante os seus stakeholders".

Já as recentes vendas de ações ordinárias da petroleira OGX por parte do Grupo EBX são "um ajuste mínimo pontual", segundo a nota. As vendas "estavam relacionadas com o alongamento de vencimentos e redução do custo da sua dívida com credores".

"Não há qualquer intenção de realizar vendas adicionais, em bolsa, de valores mobiliários de emissão da OGX. Não obstante, o Grupo EBX continuará a perseguir a implementação de parcerias estratégicas (vide as recentes operações envolvendo a MPX Energia S.A. e a EON e, também, OGX e Petronas), bem como eventos ou negócios que propiciem criação de valor e liquidez aos seus acionistas", diz a nota.

O grupo também fez menção às recentes demissões de funcionários em suas empresas. "Sempre priorizando a eficiência, o corpo administrativo da EBX foi reduzido e reestruturado, o que também está sendo gradualmente implementado nas demais companhias", diz a nota.

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