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OHL vende filial no Brasil para a Abertis

Grupo espanhol é dono de concessões de rodovias como a Régis Bittencourt

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h07

A espanhola OHL anunciou ontem acordo de venda das subsidiárias brasileira e chilena para a conterrânea Abertis. O negócio envolve nove concessões rodoviárias no Brasil, num total de 3.227 km, e três trechos no Chile, de 342 km de extensão. Segundo um comunicado, a Abertis vai incorporar as duas empresas da América do Sul e passivos da ordem de 530 milhões.

A operação chilena será independente e vai envolver pagamento em dinheiro de 200 milhões. Na unidade brasileira, o negócio será feito com a Partícipes en Brasil, proprietária de 60% da OHL Brasil (o restante está nas mãos de acionistas como Credit Suisse Hedging Griffo e Kendall Develops S/A). Por essa operação, a holding OHL terá 10% de participação acionária na Abertis.

O negócio, no entanto, ainda depende de "diversos requisitos e trâmites habituais nesse tipo de processos", além de aprovação pelos conselhos de administração da OHL e da Abertis. No Brasil, a transferência das concessões para outro investidor passará pelo crivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e demais órgãos responsáveis.

Em fato relevante, o diretor de Relações com Investidores da OHL, Alessandro Scotoni Levy, diz que a empresa no Brasil continuará como companhia aberta e manterá todos os planos de investimentos previstos nos contratos de concessão. O grupo espanhol ganhou visibilidade no País em 2007, quando arrematou cinco lotes de rodovias federais. Entre elas, a Régis Bittencourt e a Fernão Dias, as mais cobiçadas pelos investidores.

Lance agressivo. Para vencer as concessões, a OHL fez propostas agressivas, com deságios que chegaram a 65%, e aceitou tarifas extremamente baixas para o então padrão brasileiro. Com o resultado do leilão, a empresa passou a deter a maior malha rodoviária do País, mas também foi bombardeada por não honrar investimentos obrigatórios.

Um dos casos mais emblemáticos é a duplicação da Serra do Cafezal, na Régis Bittencourt, em São Paulo. A obra deveria ter sido entregue em fevereiro, mas por uma série de entraves quase nada saiu do papel. Até agora, apenas 4 km de duplicação, duas pontes e obras de contenção de encosta foram concluídos.

O trecho mais delicado, de 19 km na serra, está intocado. O argumento da OHL é que as obras dependem da liberação dos órgãos ambientais. Mas o pedido de licença de instalação apenas foi solicitado ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) em setembro passado. No mercado, há quem diga que esse atraso está associado a problemas de caixa por causa do baixo valor das tarifas de pedágios e elevados volumes de investimentos. Nas outras rodovias administradas pela empresa, a situação é semelhante. Várias obras prioritárias ainda não ficaram prontas.

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