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OHL vira dona da maior malha rodoviária

Empresa espanhola passa a administrar 3,225 mil km de rodovias em regiões importantes, como SP e MG

Renée Pereira e Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 00h00

A espanhola OHL passa a deter a maior malha de concessão rodoviária do País, após o resultado de ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). No total, ela administrará cerca de 3.225 quilômetros de estradas pedagiadas e terá importante interligações entre os Estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, no chamado Corredor Mercosul.Com isso, a empresa passa o grupo CCR, que hoje detém a concessão de 1.452 km de rodovias. No ranking de volume de tráfego e receita, a espanhola ficará em segundo lugar, atrás da CCR.A OHL está no Brasil desde 1998, quando passou a administrar a Autovias, a Centrovias e a Vianorte. Dois anos depois, obteve a concessão da Intervias. Com essas quatro empresas, o grupo administra 1.147 quilômetros de estradas no interior de São Paulo, ou 11,6% do total das rodovias sob concessão no País.A empresa pertence ao grupo espanhol Obrascon Huarte Lain (OHL), do ramo de construção e serviços e dono de 12 concessionárias de estradas em países como Espanha, México, Chile e Argentina, além do Brasil. Fundado há mais de 90 anos, o grupo de capital aberto e ações na Bolsa de Madri faturou em 2006 3,3 bilhões.No Brasil, a OHL obteve receita líquida de R$ 544,5 milhões em 2006 e investiu R$ 188 milhões, parte na manutenção e expansão das rodovias. No início dos contratos, a empresa estimava investimentos de R$ 1,77 bilhão durante o período das concessões. A empresa tem 1.161 empregados diretos.A concessão da Autovias abrange 18 municípios paulistas, entre os quais Araraquara, Ribeirão Preto e Batatais. A Centrovias abrange 12 cidades nos trechos que ligam Bauru a São Carlos e Limeira.Já a Vianorte opera a rodovia que corta 16 cidades, entre as quais Bebedouro e Orlândia. Última concessão, até ontem, a Intervias administra malha viária que abrange 19 municípios, como Piracicaba e Rio Claro.Centro das atenções no leilão de ontem, o presidente da OHL no Brasil, José Carlos Ferreira de Oliveira, respondeu às provocações em relação aos lances baixos dados pela empresa dizendo que se tratava de política de perdedor. Ele afirmou que há anos a companhia estuda os trechos ofertados no leilão e, por isso, ela teve condições de ser mais agressiva.Até mesmo o diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), José Alexandre Resende, brincou com o executivo: ''''O Zé ainda vai me explicar como ele conseguiu fazer essas propostas''''.Oliveira, da OHL, garante que os lances foram bastante sensatos, levando em consideração a solidez da economia brasileira, a redução das taxas de juros e expectativa de o País receber o conceito de grau de investimento pelas agências de classificação de risco. ''''Acreditamos na nossa previsão. Ao contrário do que imaginam, é bem pé no chão.'''' As ações da empresa caíram 3,3% ontem.Ele afirmou que a empresa deverá usar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fazer os investimentos nas estradas. Após a assinatura do contrato, previsto para janeiro, a empresa terá seis meses para melhorar a qualidade das rodovias. Nesse período, a OHL deve investir entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões. Em 25 anos, o investimento total nos cinco trechos obtidos será de R$ 16,7 bilhões.

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