Paulo Vitor/Estadão
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Oi aceita aporte bilionário de fundo russo e abre espaço para união com a TIM

Empresa de telecomunicações assinou contrato de exclusividade pelo prazo de sete meses com o fundo LetterOne, que ofereceu um aporte de até US$ 4 bilhões

Marcelle Gutierrez e Beth Moreira , O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2015 | 11h53

SÃO PAULO - A Oi e a LetterOne Technology (L1 Technology), do bilionário russo Mikhail Fridman, assinaram contrato de exclusividade pelo prazo de sete meses, contados a partir de 23 de outubro. A operação tem como objetivo possibilitar a consolidação do setor de telecomunicações no Brasil, envolvendo uma potencial combinação de negócios com a TIM.

Segundo fato relevante da Oi, enviado há pouco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após a proposta enviada pela Letter One a empresa enviou uma contraproposta de exclusividade, na qual a Oi e a L1 Technology teriam, mutuamente, um direito de exclusividade, por sete meses, com relação a, especialmente, combinações de negócios envolvendo companhias de telecomunicações ou ativos de telecomunicações no Brasil.

"A Oi recebeu confirmação da L1 Technology de que concorda com todos os termos da contraproposta", informou a Oi.

Se concretizada a operação, a Oi espera redução da alavancagem, geração de sinergias e ganho de escala. "Uma potencial união da Oi com a TIM Participações deve resultar na constituição de um operador mais completo e bem posicionado, capaz de competir com players globais já instalados no País. O consumidor deverá ser beneficiado com o consequente fortalecimento da companhia", informou a Oi, no documento enviado à CVM.

No dia 26 de outubro, a Oi informou que recebeu uma proposta do grupo Letter One no dia 23 de outubro de aporte de até US$ 4 bilhões. O BTG Pactual recebeu a proposta do grupo russo e foi o responsável por desenvolver alternativas viáveis de estruturas que viabilizem sua participação na consolidação do setor no mercado brasileiro.

O interesse do grupo russo já havia sido antecipado pelo jornal O Estado de São Paulo no último dia 24. O bilionário Mikhail Fridman tem investimentos, por meio de seu fundo LetterOne, em companhias de telecomunicações da Europa. Em abril, o fundo L1 anunciou ao mercado planos para investir US$ 16 bilhões em empresas de telecomunicações, tecnologia e também óleo e gás.

Fridman é dono do Grupo Alfa, que controla um dos maiores bancos privados de investimento da Rússia. Nascido na Ucrânia, em 1964, o empresário pertence a uma das famílias mais ricas da Rússia. Ele começou seus negócios na área de entretenimento na década de 80. Hoje, seu grupo é controlador de operadoras de telefonia na Rússia, VimpelCom, e na Turquia, a Turkcell.

Dívidas. A proposta da Letter One vem em um momento de persistência das dificuldades financeiras da Oi, mesmo após a venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom para o grupo europeu Altice neste ano.

A Oi tenta desde o ano passado viabilizar uma consolidação da indústria de telecomunicações do País, enquanto mantém planos de melhoria de sua governança e faz investimentos em banda larga. A empresa terminou o primeiro semestre com dívida líquida de R$ 34,6 bilhões e caixa de R$ 16,6 bilhões.

A Telecom Italia, controladora da TIM, tem afirmado que a operação no Brasil é estratégica para a companhia. Em meados de setembro, o presidente-executivo da TIM, Rodrigo Abreu, tinha afirmado a investidores em Nova York que a operadora não estava buscando "agressivamente" uma fusão e que a empresa estava bem posicionada para se beneficiar da consolidação do mercado.

(Com Lucas Hirata, da Agência Estado, e informações da Reuters)

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