Oi antecipa meta de banda larga em um ano

Presidente da empresa diz que poderá ter perdas com a reativação da Telebrás, pois tem 'muitos contratos' com a administração pública

Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

RIO

Às vésperas de a Telebrás voltar ao mercado, a Oi antecipou em um ano sua meta de universalização do serviço de banda larga. Ontem, o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, revelou que, até o final do ano, todos os municípios de sua área de concessão terão acesso rápido de internet.

Com a compra da Brasil Telecom, em 2008, a companhia passou a operar telefonia fixa em todos os Estados, exceto São Paulo, região coberta pela Telefônica. A decisão veio à tona em meio à controversa decisão de reativar a Telebrás, sob a justificativa de universalizar o serviço. Entretanto, Falco nega que a antecipação tenta qualquer relação com a decisão do governo. "A Telebrás é assunto de três semanas atrás", desconversou, sem revelar, porém, quando a Oi decidiu alterar sua meta, prevista inicialmente para o final de 2011.

Durante palestra no Fórum Nacional, promovido pelo Instituto de Altos Estudos, no BNDES, o executivo chegou a classificar a Oi como uma "máquina de implementação" de projetos e afirmou: "Se falar para botar banda larga no Brasil, a gente bota. Se mandar parar, a gente bota assim mesmo", afirmou. Falco lembrou que a meta de universalização é parte de uma obrigação imposta pelo governo e não é um negócio rentável.

Segundo Falco, a opção por acelerar o trabalho tem como pano de fundo apenas o fato de a companhia ter outras metas para instalações de infraestrutura de telecomunicações. Como a universalização não é rentável para a empresa, Falco explica que o melhor caminho é realizar o investimento de uma só vez. O empresário explica que o técnico que vai até o município instalar a rede de telefone pode aproveitar a viagem e também instalar a tecnologia de banda larga.

Há algumas semanas, a Oi chegou a levar ao governo um plano de universalização do serviço de banda larga em todo o País, em que se oferecia para liderar o programa. Mas, o governo fez uma opção pela reativação da Telebrás.

Perdas. Falco admitiu ainda que a companhia terá perdas caso a Telebrás tenha prioridade nos contratos de prestação de serviço de telecomunicações com a administração pública (federal, estadual, municípios e estatais). "Isso é uma discussão do sindicato", afirmou. Mas, admitiu que o Grupo Oi tem "muitos contratos" com o governo.

No evento, o executivo afirmou ainda que considera o atual modelo de negócios para a banda larga insustentável. Segundo ele, enquanto a receita das companhias continua estável, os investimentos necessários atender ao crescimento do consumo são crescentes.

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