Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Oi aprova mudança em plano de recuperação judicial e pode seguir com venda de ativos

Votação aconteceu por meio de uma plataforma online e durou 12 horas; empresa de telefonia conseguiu o apoio necessário para sair do setor de telefonia e internet móveis e atuar apenas com fibra ótica

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 23h37
Atualizado 09 de setembro de 2020 | 00h30

A proposta de mudança no plano de recuperação judicial da Oi foi aprovada na noite desta terça-feira, 9, em uma assembleia virtual de credores que durou 12 horas e foi marcada por tensões, conflitos e problemas técnicos. A modificação do plano anterior, que valia desde 2017, vai abrir a porta para a venda de ativos da quarta maior tele do País. 

O novo plano prevê a venda de redes móveis, torres, data centers e parte da rede de fibra ótica, levantando mais de R$ 22 bilhões. O dinheiro será usado para fazer o pagamento antecipado de dívidas, com cortes dos valores na faixa de 50% a 55%, além de sustentar os investimentos futuros.

O principal ativo são as redes móveis, que já receberam proposta vinculante de R$ 16,5 bilhões do consórcio formado pelas rivais Vivo, Claro e TIM, que pretendem dividir entre si as redes e os clientes da Oi. A empresa de infraestrutura Highline do Brasil, do fundo americano Digital Colony, também fez oferta, de valor não revelado.

Se tudo der certo, após a alienação dos ativos, a Oi espera reduzir o endividamento e concluir a recuperação judicial em maio de 2022. 

Daqui para frente, a Oi pretende se tornar uma empresa focada em fibra óptica, prestando serviços de banda larga ao público e oferecendo suas redes de forma neutra às demais operadoras de 4G e 5G – uma atuação bem mais discreta do que os planos de uma década atrás, em que a empresa era definida como a “super tele” nacional.

A assembleia foi marcada por divergências com Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, entre outras instituições financeiras. Os bancos criticavam o fato de a nova versão do plano ter estabelecido um deságio entre 55% e 60% no valor da dívida a ser paga pela tele, em comparação à versão original do plano, de 2017.

Itaú, Caixa e BB pediram a suspensão da assembleia pelo prazo de 30 dias, o que foi negado pelo administrador judicial do processo. A assembleia foi paralisada três vezes para que as partes tentassem um acordo, o que não aconteceu.

No fim da noite, a Oi ainda anunciou uma leve diminuição do deságio para a faixa de 50% a 55%. “As modificações vêm no espírito de viabilizar aprovação do plano, mas garantindo também a sustentabilidade da execução do plano”, declarou o presidente da Oi, Rodrigo Abreu, antes do começo da votação.

A Oi entrou em recuperação judicial em junho de 2016, ao acumular dívida bruta de R$ 64 bilhões com 55 mil credores. A aprovação do plano de recuperação ocorreu em dezembro de 2017 e reduziu essa dívida em R$ 36 bilhões por meio de descontos, parcelamentos e conversão de créditos em ações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.