Oi confirma negociações com Brasil Telecom, mas nega acordo

De acordo com notícias publicadas nesta quinta, o grupo teria oferecido R$ 4,8 bilhões pela Brasil Telecom

Márcio Anaya, da Agência Estado,

10 de janeiro de 2008 | 11h03

A Telemar Participações (Grupo Oi) divulgou nesta quinta-feira, 10, comunicado em que confirma as negociações em andamento para a compra da Brasil Telecom Participações. Segundo o texto, as conversas com os controladores da empresa "se intensificaram nas últimas horas", mas nenhum acordo foi ainda assinado. De acordo com notícias publicadas nesta quinta, o grupo Telemar/Oi teria oferecido R$ 4,8 bilhões pela Brasil Telecom. Veja também:Bovespa abre em alta; ações da Telemar sobem com negociação "Os valores discutidos durante estes entendimentos são meramente indicativos e dependerão, como é natural, da estrutura e configuração do negócio se vier a se concluir, além dos ajustes próprios da dinâmica de negociação desta natureza", diz o aviso, sem especificar as cifras envolvidas.  No aviso distribuído nesta quinta, o Grupo Oi reitera que vêm desenvolvendo estudos com vistas a uma possível reestruturação acionária da controladora Telemar Participações, e que examina ainda permanentemente "oportunidades de aquisição de controle de empresas de telecomunicações, sempre em conformidade com a regulamentação pertinente". A união da Oi (antiga Telemar) e da Brasil Telecom criaria o maior grupo de telecomunicações do País, com faturamento de R$ 21,3 bilhões entre janeiro e setembro de 2007 e posição dominante em todos os Estados brasileiros, com exceção de São Paulo. O mercado ficaria dividido entre três grandes grupos. Os outros dois são o grupo espanhol Telefônica e o mexicano Telmex/América Móvil, dono da Embratel e da Claro. O Plano Geral de Outorgas, um decreto presidencial, não permite hoje que concessionárias de telefonia fixa (Oi, Brasil Telecom, Telefônica e Embratel) tenham controladores em comum - portanto, teria de ser mudado para viabilizar a fusão. Além disso, a compra necessitaria da aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O governo apóia as negociações sob o argumento de que seria criada uma grande operadora nacional. Mas um novo decreto presidencial, para permitir a fusão, poderia ser interpretado com uma mudança de regras e gerar reclamações das outras empresas do mercado. Ou poderia dar origem a reivindicações para que outras regras fossem mudadas, permitindo, por exemplo, a fusão entre empresas concorrentes de telefonia celular. As posições da Telefônica e da Telmex, hoje, acabam tornando menos atraente o mercado brasileiro de telecomunicações para outros jogadores internacionais. A compra da Brasil Telecom pela Oi poderia mudar o panorama. "A nova empresa seria muito atrativa para um grupo internacional", apontou o analista Julio Puschel, da consultoria The Yankee Group.

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