Paula Whitaker/Reuters
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Oi fecha acordo de exclusividade com Highline para venda de telefonia móvel

Oferta da empresa de telecomunicações superou proposta conjunta das rivais Claro, TIM e Vivo; negociação com ‘novata’ no setor deve facilitar a aprovação do acordo, que vai superar R$ 15 bi, no Cade

Matheus Piovesana e Lorena Rodrigues, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 08h01
Atualizado 23 de julho de 2020 | 21h20

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A operadora Oi anunciou nesta quinta-feira, 23, que fechou um acordo de exclusividade com a Highline do Brasil para a venda de sua unidade de telefonia móvel da operadora. A empresa – especializada em infraestrutura de telecomunicações e controlada pela americana Digital Colony – colocou na mesa um valor superior ao preço mínimo de R$ 15 bilhões estabelecido para a Oi Móvel. Segundo a operadora, a proposta da Highline superou tanto a feita pelas três líderes do setor – TIMClaro e Vivo  – quanto a da concorrente mineira Algar Telecom. As ações ordinárias da Oi dispararam 19%, fechando cotadas a R$ 1,60.

Segundo a Oi, o acordo tem validade até 3 de agosto, mas pode ser prorrogado por meio de acerto entre as partes. Além da vantagem econômica, a oferta da Highline tem outra vantagem comparada à proposta da concorrência: uma chance maior de aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o xerife da concorrência no País. 

A Oi enfrenta desde junho de 2016 um complicado processo de recuperação judicial marcado por várias tentativas de vendas de ativos e de atração de sócios que não se concretizaram. Na época do anúncio, a recuperação da Oi, com dívidas de R$ 65 bilhões, chegou a ser maior da história. Ao longo do tempo, foi superada pelo processo da gigante Odebrecht.

A Highline já havia feito uma oferta vinculante por outra UPI (unidade produtiva independente, que permite a venda separada de negócios por empresas em recuperação judicial), a Torres, que engloba sites de transmissão de radiofrequência da companhia. O valor oferecido foi de R$ 1,076 bilhão.

Especializada de infraestrutura de telecomunicações, a Highline do Brasil não opera telefonia móvel ao consumidor final, ao menos até agora. A companhia, fundada pelo Pátria Investimentos em 2012 e hoje controlada pela americana Digital Colony, oferece projetos para a construção de torres e estruturas de transmissão de dados no topo de edifícios, entre outros serviços de apoio à ampliação do alcance da cobertura. 

A empresa constrói as estruturas para as companhias de telecomunicações. A oferta pela Oi Móvel surpreende por posicionar a Highline em um serviço direto ao consumidor final, colocando-a também como rival de parte de suas clientes.

O Digital Colony, controlador da Highline, é parte do fundo de investimentos digitais da Colony Capital. O fundo comprou a empresa do Pátria Investimentos em dezembro de 2019, por um valor não revelado à época. Com isso, adicionou o Brasil a um portfólio de investimentos que congrega outras 14 empresas na América Latina, na América do Norte e na Europa. No Brasil, o fundo comprou, em abril, a UOL Diveo, antiga operação de data center do Grupo Folha, por cerca de US$ 300 milhões, segundo a Bloomberg.

Concorrência

Uma das vantagens da Highline em relação à proposta conjunta de Vivo, Claro e TIM é a possibilidade de aprovação do negócio em relação a órgãos reguladores. Dentro do Cade, a aposta é que o acordo vai ser facilmente aprovado, uma vez que não reduz a concorrência no setor – o que fatalmente ocorreria caso os ativos fossem fatiados entre as atuais líderes do segmento. Um integrante do Cade, no entanto, disse ao Estadão/Broadcast que a divisão entre as demais operadoras teria “altíssimas chances” de ser reprovada. Sob pressão dos credores, essa possibilidade não seria bem-vinda para a Oi. 

Prova disso é que, no ano passado, a compra da Nextel – que tinha participação pífia no mercado, de pouco mais de 1% – pela Claro levou nove meses para receber o aval do órgão antitruste brasileiro. Apesar de o Cade ter aprovado o negócio sem impor restrições em dezembro de 2019, o conselheiro Sérgio Ravagnani, relator do processo, ressaltou na ocasião que o mercado de telefonia móvel já apresenta grau de concentração significativo e que novos negócios deveriam ser acompanhados com atenção.

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Vivo lidera atualmente o mercado de telefonia móvel por ampla margem. A empresa controlada pela espanhola Telefônica detinha 33% do setor em maio, com 74,4 milhões de clientes. A Claro em vem segundo, com fatia de 25,9% e um total de 58,5 milhões de consumidores. Em terceiro está a TIM, com 23,2% e 52,3 milhões de acessos. A Oi hoje é a quarta – e mais frágil – participante do setor. Tem 16,3% do total, com 36,7 milhões de linhas. 

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