Sergio Moraes|Reuters
Sergio Moraes|Reuters

Oi ou tchau?

A recessão faz mais uma vítima na economia brasileira e bancos estatais não se mostram dispostos a perdoar as dívidas

The Economist

24 Junho 2016 | 09h04

No português falado no Brasil, “oi” geralmente é uma interjeição alegre, usada como saudação informal. Mas, depois que na segunda-feira, 20, a operadora de telefonia Oi deu entrada no maior pedido de recuperação judicial da história do País, os brasileiros talvez estejam finalmente dando adeus a suas esperanças de criar uma sólida campeã nacional. O governo diz que não socorrerá a empresa, cujas dívidas somam R$ 65 bilhões (US$ 19 bilhões). Os bancos estatais não se mostram dispostos a perdoar o que a companhia lhes deve. É possível que partes da operadora sejam vendidas a investidores estrangeiros.

No passado, a empresa recebeu tratamento mais benévolo por parte do governo brasileiro. Fruto de uma fusão realizada há oito anos, com aval e incentivo oficial, que tinha como objetivo a criação de uma gigante nacional num mercado dominado por empresas estrangeiras, a Oi chegou a ser vista como potencial player global. É a maior operadora de telefonia fixa do País, mas têm dificuldades para competir com suas rivais internacionais no muito mais lucrativo mercado de telefonia móvel, em que, mesmo com o farto volume de recursos públicos despejados em seus cofres e com as alterações feitas em seu favor na legislação do setor, é só a quarta maior operadora.

Como muitas empresas brasileiras, a Oi se endividou a não mais poder nos anos em que a economia crescia em ritmo acelerado. Acabou sendo pega no contrapé quando o intervencionismo equivocado de Dilma Rousseff - atualmente afastada da Presidência por conta do processo de impeachment em curso no Senado Federal -, associado à queda nos preços das commodities, produziu a maior recessão de que se tem notícia no País desde os anos 30.

A empresa também foi prejudicada por problemas de gestão: tentando digerir a fusão com a Portugal Telecom, em cinco anos a Oi foi comandada por seis executivos diferentes. Agora, enredada no complicado processo falimentar brasileiro, deve perder participação de mercado para suas três maiores concorrentes no segmento de telefonia móvel - a espanhola Telefônica (Vivo), a América Móvil (Claro), do bilionário mexicano Carlos Slim, e a Tim.

Os problemas da Oi são a mais recente pedra no caminho da combalida economia brasileira. O presidente interino, Michel Temer, tem uma visão mais pró-mercado que Dilma. Pela primeira vez neste século, as privatizações entraram para valer na pauta do governo. Mas o tempo está se esgotando para uma série de companhias brasileiras pesadamente endividadas, de siderúrgicas a empreiteiras. A questão é saber se elas conseguirão reestruturar suas dívidas e evitar o destino da Oi. Se não forem bem-sucedidas, o País verá muitas de suas grandes empresas dando “tchau”.

© 2016 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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