Wilton Junior|Estadão
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Oi quer garantir aporte de R$ 8 bi para reaquecer investimentos

Objetivo é modernizar a expansão da cobertura de telefonia móvel 4G, ampliar a rede de fibra ótica para banda larga e TV por assinatura e fortalecer o desenvolvimento do portfólio de aplicativos e serviços digitais

Circe Bonatelli, Broadcast

29 Agosto 2017 | 19h47

A direção da Oi vai insistir na proposta de capitalização de R$ 8 bilhões em seu plano de recuperação judicial, que será votado em outubro por credores. Com esse aporte, a companhia pretende acelerar a modernização da sua rede, compensando o atraso vivido no passado recente.

"Dos R$ 8 bilhões planejados, nada será usado para abatimento de dívida. Tudo será para acelerar os investimentos", afirma o diretor presidente da Oi, Marco Schroeder, em entrevista ao Broadcast. "Queremos subir nosso nível de investimentos anuais do patamar atual de cerca de R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões nos próximos quatro anos", completa.

Segundo o executivo, os recursos serão destinados a três frentes: expansão da cobertura de telefonia móvel 4G, ampliação da rede de fibra ótica para banda larga e TV por assinatura e desenvolvimento do portfólio de aplicativos e serviços digitais.

A princípio, o aumento de capital de R$ 8 bilhões pode ser fatiado em três parcelas. Entretanto, a origem dos recursos e as condições dos aportes continuam sendo discutidas com acionistas e credores, ainda sem um acordo definitivo.

Por enquanto, há na mesa uma proposta de injeção de R$ 3 bilhões, apresentada pelo grupo de credores representado pelas gestoras Moelis e G-5. "Os R$ 3 bilhões propostos ainda estão abaixo do que a companhia deseja, mas dão um sinal positivo importante de que há pessoas interessadas em investir na Oi", avalia o diretor presidente.

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Operações. A Oi entrou em recuperação judicial em junho do ano passado, após acumular uma dívida de R$ 64 bilhões com 55 mil credores. De lá para cá, Schroeder tem reiterado que as negociações para equalização das dívidas não impactaram o dia a dia das operações.

Uma das prioridades para evitar deterioração dos serviços prestados tem sido a expansão dos investimentos na manutenção e no desenvolvimento das redes. A tele fechou 2016 com investimentos de R$ 4,7 bilhões, alta de 17,5%. Para esse ano, o foco é manter a trajetória de crescimento, enquanto as concorrentes vêm diminuindo os desembolsos.

Com isso, a Oi planeja compensar o ciclo anterior, entre 2013 e 2015, quando ficou na lanterna. Nesse triênio, a Oi investiu R$ 15,5 bilhões, o equivalente a 18% da sua receita. Na comparação proporcional, a TIM aplicou 27% do faturamento, e a Vivo, 22%. A Claro não abre seus números.

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A consequência do menor volume de aportes no passado foi a demora na expansão das redes. Em junho, a cobertura 4G da Oi chegava a apenas 284 cidades, atrás de Claro (1.183), Vivo (1.477) e TIM (1.850). Até o fim do ano, a Oi pretende ampliar a cobertura para um total de 844 cidades. "Estamos fazendo um esforço para recuperar a Oi, o que passa por incrementar os investimentos", ressalta Schroeder.

Entre esses esforços, ele cita também que a empresa foi capaz de aumentar as disponibilidade do caixa em R$ 2,4 bilhões em um ano, para R$ 7,4 bilhões, decorrente de corte de gastos e maior disciplina financeira. O resultado também foi suportado pela interrupção temporária de parte do pagamento de despesas com dívida, garantida pelo processo de recuperação judicial.

Outro esforço da operadora está no aprimoramento de seus indicadores de qualidade, campo em que tem obtido sucesso. As reclamações contra a empresa na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no segundo trimestre caíram 28%, enquanto nos Procons houve redução de 21%.

Futuro incerto. Analistas do setor de telecomunicações ponderam que, apesar do avanço em alguns indicadores, a situação da Oi desperta cautela, pois há uma grande dose de incerteza sobre os rumos da recuperação judicial e a capacidade de a empresa manter as operações saudáveis no médio e no longo prazo. O setor depende de grandes volumes de capital e ganhos de escala. Essa visão é compartilhada por setores do governo federal, que cobram agilidade na reformulação do plano de recuperação.

"No passado, a Oi deixou de fazer investimentos necessários para a expansão das redes. Hoje, depende de uma alocação de recursos maior que a de concorrentes", comenta o analista de um importante banco, que preferiu não ter o nome citado.

Outro analista consultado, nas mesmas condições, também observa que a Oi tem perdido clientes em telefonia móvel mês a mês. A participação de mercado da companhia recuou de 18,52% no primeiro trimestre de 2016 para 17,36% no segundo trimestre de 2017. "A Oi não tem sido tão competitiva quanto as demais operadoras", cita, referindo-se a um conjunto de fatores, como qualidade do sinal, cobertura, preços dos planos e publicidade.

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O diretor presidente da Oi nega que a perda de consumidores está ligada ao processo de recuperação. Segundo Schroeder, a operadora tem uma base grande de clientes de baixa renda, que são usuários de planos pré-pagos. "Eles sofreram mais durante a crise em função da perda da renda, da alta do desemprego e do aumento dos impostos, o que diminuiu as recargas dos celulares", explica.

Já um segmento considerado mais promissor é o de banda larga e TV por assinatura, onde a tele tem ganhado consumidores. Como a Oi é a única operadora de telefonia fixa em várias regiões do País, tem aproveitado para oferecer mais produtos aos clientes dessas áreas. "Esse foi um mérito da Oi no último ano, e vejo que ainda há potencial de crescimento", disse um dos analistas.

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