Oi quer investir US$ 15 bi no exterior

Empresa anuncia planos de expansão no momento em que se discute mudança na lei para permitir compra da BrT

Gerusa Marques, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 00h00

A Oi teria de investir US$ 15 bilhões, em cinco anos, para cumprir a meta de expansão de sua operação para o mercado externo, depois de consolidada a compra da Brasil Telecom (BrT). A previsão foi feita ontem pelo presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, durante audiência pública na Câmara dos Deputados. Os principais mercados na mira da futura supertele seriam a América Latina e os países de língua portuguesa.A expansão, na opinião de Falco, pode se dar tanto em operações ''green field'', que começam do zero, quanto por meio de aquisições de empresas já estabelecidas. ''Tem alguns ativos acontecendo na Argentina e na Venezuela. Não é aquele espetáculo que foi antes, porque o pessoal (da Telmex e da Telefónica) chegou na frente'', afirmou.A Oi e a BrT juntas investem hoje no mercado interno US$ 3 bilhões por ano. Os investimentos fora do País, segundo Falco, poderiam ser tanto por meio de captação de recursos quanto por troca de ações. ''Se vai ter uma plataforma mundial de língua portuguesa, o Brasil é candidato'', disse Falco, referindo-se a Portugal e aos países africanos que falam português.A previsão de investimentos de US$ 15 bilhões levou em consideração a perspectiva de conseguir 30 milhões de clientes novos. Falco afirmou que ainda não há nenhum negócio definido e que os alvos dessa futura empresa, fruto da Oi e BrT, serão todos aqueles que representem oportunidades. ''O que a gente quer é comprar um monte de coisa, barato para caramba. O problema é que tem mais gente querendo isso também'', disse.Mas, para isso, afirmou, é preciso consolidar primeiro a empresa nacionalmente e depois dar os primeiros passos fora do País. ''Nossa preocupação é fazer isso rápido para que tenhamos efetivamente 100 milhões de clientes em cinco anos'', previu.Na Câmara, Falco explicou aos deputados os termos da operação de compra da BrT, assegurando que o negócio não traz risco à concorrência no mercado brasileiro e que servirá para estimular a competição. Ele disse estar otimista que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovará a reformulação do Plano Geral de Outorgas (PGO), eliminando a proibição para a compra da BrT.MUDANÇA DE REGRASOntem, o conselho diretor da Anatel adiou, mais uma vez, a votação da proposta de novo PGO, por falta de consenso. A expectativa do presidente da agência, Ronaldo Sardenberg, é conseguir resolver as divergências até a próxima quarta-feira, quando haverá nova reunião do conselho. ''Não chegamos a um consenso total, mas houve progresso'', disse Sardenberg, sem revelar quais divergências estão emperrando a votação e argumentando que qualquer antecipação pode ter reflexos inesperados no mercado.O presidente da Oi lembrou que o contrato firmado para a compra da Brasil Telecom estabelece um prazo de 240 dias para que o PGO seja alterado. ''Se não for aprovado, vai ser um problema. Vamos ter de pagar uma conta de R$ 815 milhões'', disse Falco, referindo-se a uma multa de R$ 500 milhões que deverá ser paga caso o negócio não seja concluído em 240 dias, e a R$ 315 milhões, que já foram pagos no anúncio da compra.FRASESLuiz Eduardo FalcoPresidente da Oi "Tem alguns ativos acontecendo na Argentina e na Venezuela. Não é aquele espetáculo que foi antes, porque o pessoal (da Telmex e da Telefónica) chegou na frente""O que a gente quer é comprar um monte de coisa, barato para caramba. O problema é que tem mais gente querendo isso também"

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