Oi tenta recomprar ações sob desconfiança do mercado

Para analistas, operação estimada em R$ 12 bilhões corre o risco de fracassar

Nilson Brandão Junior e Michelly Teixeira, O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2007 | 00h00

A oferta pública para compra das ações preferenciais (sem direito a voto) da Telemar, um negócio de cerca de R$ 12 bilhões, corre o risco de não dar certo hoje. A avaliação é de analistas e fontes que acompanham o processo. Depois de três adiamentos, a operação está prevista para hoje, às 13h15. A avaliação no mercado é de que o preço oferecido pelos papéis é baixo e que muito provavelmente será difícil alcançar o quórum mínimo de dois terços das ações preferenciais para validar a operação. Um eventual fracasso deverá levar os controladores da empresa a partir, imediatamente, para outras alternativas de reestruturação societária.Na avaliação do analista de telecomunicação da Banif Corretora, Alex Pardellas, dificilmente a operação de hoje sairá. Segundo ele, os acionistas avaliam que a ação vale mais do que os R$ 45 oferecidos e, na prática, a exigência de adesão de dois terços do capital foi considerada forte demais. Já o analista do Banco Santander, Valder Nogueira, diz que os investidores não estão devidamente convencidos de que devem entregar suas ações preferenciais e, com isso, abrir mão de um ganho futuro por um ganho de curto prazo.Além disso, outra fonte que acompanha o processo disse que há dúvidas sobre o comportamento de fundos estrangeiros que participam do capital preferencial do grupo, como o Brandes, Capital e Genesis. Na operação de troca de ações proposta pela empresa no ano passado, fundos internacionais manifestaram-se contra porque julgaram baixa a relação de troca das ações preferenciais por papéis ordinários de uma nova companhia. A questão, segundo um executivo do setor, é se eles abririam mão de sua fatia na empresa vendendo seus papéis a R$ 45 ou prefeririam continuar num negócio com a cadeia acionária reestruturada.ALTERNATIVASCom a possibilidade de um fracasso da oferta pública de hoje, os analistas são unânimes em considerar que os controladores da Telemar - basicamente os grupos La Fonte, Andrade Gutierrez e GP, além do BNDES - deverão partir para uma nova tentativa de reorganização do capital. Embora já se tenha especulado sobre a possibilidade de um sócio comprar a fatia do outro, fontes do setor indicam que isso não deverá ocorrer e nem seria o mais adequado agora. Nesse sentido, as apostas voltam-se para três alternativas.Uma delas seria a reedição do processo de troca de ações proposta no fim do ano passado, mas desta vez com uma relação de troca mais favorável aos acionistas donos de ações preferenciais. Uma segunda possibilidade seria nova oferta pública, mas com quórum menor. A outra possibilidade é aliar uma eventual troca de ações à oferta pública de compra, também com redução da exigência dos dois terços de adesão.A simplificação do desenho societário do grupo Oi é vista como algo imperativo para valorizar a companhia. Sua complexa cadeia em cascata afeta até mesmo a distribuição de dividendos. Esse foi um dos argumentos usados pelo diretor de Relações com Investidores da empresa, Fábio Schvartsman, para tentar convencer os investidores a entregarem suas ações preferenciais na oferta pública de aquisição.Segundo ele, o nó societário do grupo ''''é a raiz dos problemas que a empresa tem vivido ao longo dos anos e tem trazido maus resultados para todo mundo - companhia, controladores e acionistas''''.OFERTA DE COMPRA Leilão: A Telemar Participações, controladora da Oi, anunciou que fará uma oferta de compra de ações preferenciais. Para isso, levantou um empréstimo que pode chegar a R$ 12,7 bilhões.O leilão está marcado para hojeTurbulência: A crise de liquidez nos mercados internacionais dificultou a operação. O leilão de compra chegou a ser adiado três vezes, antes que a empresa conseguisse levantar o empréstimo necessário para a operação, com bancos nacionais e estrangeirosOpções: Analistas consideram muito baixo o preço oferecido aos donos de ações preferenciais, e que será difícil conseguir a adesão mínima de dois terços. Caso a operação não se concretize, os controladores da empresa devem buscar alternativas de reestruturação societária

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