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Oi tentará, de novo, trocar dívida por ações

Presidente da tele admite, no entanto, que negociações com credores serão difíceis

Mariana Sallowicz, Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2016 | 05h00

Diante do impasse entre credores e acionistas no maior processo de recuperação judicial do País, o presidente da Oi, Marco Schroeder, defendeu a conversão imediata de parte da dívida de R$ 65 bilhões em participação acionária para os credores, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A intenção é reduzir o endividamento da tele para cerca de R$ 20 bilhões e também o peso dos débitos em relação à geração de caixa, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda).

Em termos de alavancagem, a empresa espera chegar a uma dívida de 2,5 vezes o Ebitda, contra o índice atual de 6 vezes. “Quanto menos alavancada a empresa estiver, menos vulnerável (ficará na consolidação)”, disse Schroeder. A consolidação do setor de telecomunicações, com a redução do número de grandes teles para três, em vez das atuais quatro, depende da reestruturação da Oi.

Para o presidente da operadora, é preciso avançar na negociação com os credores, que não andou desde o pedido de recuperação judicial, em junho. A nova proposta deve ser colocada à mesa no início de 2017, para que o plano seja aprovado ainda no primeiro semestre.

Essa não é a primeira vez que se levanta a possibilidade de a tele trocar dívidas por ações. Antes da recuperação judicial, Bayard Gontijo, ex-presidente da Oi, havia tentado esse caminho com os detentores de títulos da empresa (os “bondholders”). À época, porém, a maior acionista individual da tele – a portuguesa Pharol, com 22% das ações – foi contra a ideia.

O próprio Schroeder admitiu que convencer os credores a aderir à ideia não será fácil. “A discussão será a que preço se dará essa diluição, tem que ser algo atrativo para os credores, mas também para os acionistas que terão que aprovar. Para a empresa, sem dúvida, é bastante benéfico, mas não são negociações fáceis”, frisou.

O plano de recuperação prevê a conversão de até R$ 32,33 bilhões da dívida em 85% do capital. Pela proposta, os credores receberiam títulos que podem ser convertidos em papéis da empresa somente após três anos da homologação do plano. Porém, a Oi pode resgatar os papéis antes desse prazo e evitar a entrega da participação.

A companhia anunciou ontem, em comunicado, que contratou uma nova assessoria financeira para ajudá-la na formulação da proposta aos acionistas – a empresa Laplace Finanças vai substituir a PJT Partners na função.

Pressa. Com a urgência em converter a dívida em ações e aliviar seu balanço, a Oi quer garantir a manutenção de seus investimentos. “Se, em dois anos, eu investir menos do que meus competidores, estou fora do jogo”, disse Schroeder, que pretende ter um valor “um pouco superior” aos R$ 4,5 bilhões de 2016 para investimentos no ano que vem.

Embora a companhia tenha a opção de se reestrutura atraindo dinheiro novo – haveria, segundo fontes, pelo menos três interessados –, a visão de Schroeder é que a conversão de dívida em participação seria o caminho mais rápido.

“A proposta que coloco agora pode ser mais simples. Chamo o credor, pago parte da dívida e entrego equity (ação). Se o credor quiser, pode depois vender os papéis. É um processo mais fácil”, afirmou.

Interesse. Embora Schroeder veja a conversão da pesada dívida da companhia em ações para os credores como o “plano A” para a companhia, há pelo menos três investidores com intenções de entrar na operadora, sendo que oito interessados já olharam o ativo, segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado. Na entrevista, porém, Schroeder disse que não recebeu nenhuma proposta até o momento.

Um dos candidatos a comprar uma fatia da Oi é o egípcio Naguib Sawiris, que está formulando um plano de recuperação judicial alternativo com os credores representados pela Moelis & Company. Apesar de Schroeder afirmar que a operação da Oi está saudável, o egípcio disse, em entrevista ao Broadcast em outubro, que o plano de recuperação “não convence” e que a empresa tem problemas operacionais.

O fundo Elliot fez “due diligence” (checagem financeira) e estaria preparando proposta de cerca de US$ 3 bilhões. Por fim, o fundo americano Cerberus - conhecido por comprar ativos em dificuldades financeiras, como fez recentemente com a Avon - também estaria se movimentando neste sentido. 

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