Werther Santana|Estadão
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Oi vai colocar em votação proposta de aporte de até US$ 4 bi de fundo russo

Se conselho da Oi aprovar aporte da LetterOne, proposta de fusão entre Oi e TIM vai ser apresentada até o fim de novembro para a cúpula da Telecom Itália; ‘nova Oi’ passará a ter como sócios russos, italianos, portugueses e brasileiros

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2015 | 05h00

A Oi vai submeter, na quarta-feira, 28, ao seu conselho de administração a proposta de aporte de até US$ 4 bilhões do fundo LetterOne (L1), que pertence ao bilionário russo Mikhail Fridman. A Oi confirmou, em comunicado, que o BTG, um dos acionistas da operadora e assessor financeiro da companhia, recebeu na sexta-feira a oferta do fundo de fazer um aumento de capital na empresa de telecomunicações. Esse aporte está condicionado, contudo, à fusão entre Oi e TIM, controlada pela Telecom Itália (TI).

“Não houve ainda uma proposta oficial para a Telecom Itália, apenas conversas informais. Uma oferta para a TI vai ser formalizada em até 30 dias, caso o conselho da Oi aprove o aporte da L1”, disse a mesma fonte. “A proposta da LetterOne está condicionada à participação da TIM”, disse outra fonte.

“O acordo prevê primeiro um aporte e depois troca de ações entre Oi e TIM. A LetterOne seria um dos principais acionistas dessa nova empresa.” Outros acionistas poderão fazer aportes, se não quiserem ser diluídos. No entanto, fontes afirmaram ao Estado que os atuais acionistas, como BNDES e Pharol (que reúne antigos sócios da PT SGPS) não estariam interessados em fazer aumento de capital. O BNDES poderá se desfazer de suas ações no futuro.

Na segunda-feira, as ações da Oi encerraram o dia a R$ 3,50, com alta de 6,06%. Os papéis da TIM subiram 5,93%, a R$ 8,57%.

Ao mercado, a Oi informou que a proposta da LetterOne será analisada pela companhia em conjunto com os assessores legais e financeiros. O Estado apurou que o conselho deverá aprovar o aporte. Em comunicado, a TIM informou que não está em “negociação em curso” com a Oi ou com o L1.

A aproximação entre o BTG e o bilionário russo ocorreu nos últimos meses, quando Fridman sinalizou estar aberto a fazer investimentos em teles na América Latina. O fundo L1 tem cerca de US$ 16 bilhões para investir em empresas de telecomunicação, tecnologia e óleo e gás pelo mundo. Fridman é dono do Grupo Alfa, que controla um dos maiores bancos privados de investimento da Rússia. Nascido na Ucrânia, em 1964, o empresário pertence a uma das famílias mais ricas da Rússia. Ele começou seus negócios na área de entretenimento na década de 80. Hoje, seu grupo é controlador de operadoras de telefonia como Turkcell, na Turquia, e também da VimpelCom, que tem participações em empresas de telecomunicação em países da Europa.

Consolidação. Com uma dívida bruta de R$ 51,3 bilhões, a consolidação da Oi é bem vista pelo mercado, que considera esse movimento positivo e prevê ganhos de sinergia entre Oi e TIM. Para analistas do BNP Paribas, caso uma fusão seja feita, esses ganhos podem ficar entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões. Ao fazer fusão com todas as ações, o endividamento líquido da nova companhia ficaria em torno de 1,6 vez o Ebitda, diz o BNP Paribas.

Para a Guide Investimentos, a consolidação não aconteceu até o momento em razão das incertezas que rondam o setor, como regulamentação das concessões e saúde financeira das companhias. Para Eduardo Tude, da consultoria Teleco, outro obstáculo são os chamados “bens reversíveis”. Os bens reversíveis são aqueles usados para o desenvolvimento de infraestrutura em telefonia fixa que devem ser entregues ou devolvidos para ao fim da concessão. /COLABORARAM KARIN SATO E BETH MOREIRA

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