OIM revela aumento de remessas para países menos desenvolvidos

As remessas enviadas pelos emigrantes dos países menos desenvolvidos a suas famílias aumentaram em US$ 4 bilhões desde o ano 2000, e já representam uma fonte de financiamento externo de crescente importância para esse grupo de nações, aponta estudo divulgado nesta terça-feira pela Organização Internacional das Migrações (OIM).O estudo indica que a remessa de dinheiro aos países menos desenvolvidos superou os US$ 10 bilhões em 2004, tornado-se sua segunda maior fonte de receitas externas.Para países como Haiti, Samoa e Nepal, as remessas representaram esse ano 28,4%, 12,4% e 11,7%, respectivamente, de seus PIBs.A pesquisa demonstra que esse volume pode ser ainda maior, pois há remessas feitas por meios não oficiais, utilizados pelos emigrantes devido aos altos custos de transferência através de entidades formais, assim como à pequena infra-estrutura e fraqueza do setor financeiro nos países menos desenvolvidos.Isso explica o caso de Bangladesh e Uganda, que recebem 54% e 80% de suas remessas, respectivamente, por meios informais. Com isso, esse dinheiro perde parte de sua capacidade para contribuir com a redução da pobreza, segundo o documento."O acesso aos serviços de remessas deve ser mais rentável, rápido e seguro", disse o diretor-geral adjunto da OIM, Ndioro Ndiaye, observando que uma economia estável e um ambiente propício aos investimentos são fatores fundamentais para favorecer o uso de canais oficiais no envio de dinheiro."As remessas dos trabalhadores são fundamentais na ajuda às famílias pobres nos países em desenvolvimento, mas é necessário fomentar políticas coerentes para que os benefícios desses fundos cheguem à sociedade", afirmou o representante especial da ONU para os Países Menos Desenvolvidos, Anwarul Chowdhury.Em seu relatório, a OIM pede o fortalecimento dos meios oficiais disponíveis para o envio de dinheiro, mediante o estabelecimento de sistemas bancários eficientes, taxas de câmbio favoráveis e menores custos dos envios através de instituições de microfinanciamento.O estudo alerta ainda para o problema da "fuga de cérebros" representada pela emigração de trabalhadores qualificados, aqueles que mais contribuem com essas remessas, e para o desafio que é transformar esses envios em programas que beneficiem a sociedade.

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