OIT prevê ano ruim para empresas aéreas latinas

O ano de 2002 não será positivo para as empresas aéreas brasileiras. Além dos efeitos dos atentados terroristas nos Estados Unidos, as companhias do Brasil e de outros países da região ainda sofrem uma grave crise financeira, o que deverá gerar perdas maiores que as das empresas dos Estados Unidos e Europa. Essa é a avaliação do relatório publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra. "Uma das conseqüências da atual crise será que um grande número de empresas estarão em dificuldades financeiras. Algumas serão forçadas a interromper suas operações", afirma o relatório. Segundo a OIT, "todas as principais companhias aéreas brasileiras encaram problemas de dívidas e de quedas nas vendas depois de 11 de setembro". A organização cita a Transbrasil como um exemplo das dificuldades das empresas na América Latina, e ainda lembra que as tentativas de fusões da Transbrasil com a TAM ou com a Varig fracassaram nos últimos dois anos. Uma das explicações para os problemas é que, enquanto os custos das empresas estão calculados em dólar, a receita é em real. Outra fonte de problema é o aumento nos custos com os seguros em 2002, que podem subir 1000%. Uma das saídas para as companhias latino-americanas seria a retomada dos vôos nos mesmo níveis do começo de 2001. Mas o cenário é pouco promissor para o setor, que representa 12% do PIB da região. Nos Estados Unidos, mais de 2 mil aeronaves estão estacionadas desde setembro sem realizar um só vôo, e a queda média do número de passageiros no mundo, no ano passado, foi de 6%. Especialistas acreditam que uma retomada somente ocorrerá em 2003. Embraer A crise não afeta apenas as aerolinhas. Segundo estimativas da OIT, o preço médio de um avião caiu 15% desde setembro, e o resultado está sendo uma revisão nos planos de vendas dos principais fabricantes, como a Airbus, Boeing, Bombardier e a brasileira Embraer. Os pedidos mundiais, que em 2000, foram de 1,8 mil aeronaves aos fabricantes, caiu para 800 em 2001. A OIT alerta que a crise pode começar a atingir outras atividades relacionadas com o setor aéreo. Na avaliação dos especialistas internacionais, para cada demissão em uma companhia aérea, quatro empregos são suprimidos nos aeroportos, e quase três postos de trabalho deixam de existir na região dos aeroportos, como em hotéis e serviços de transporte urbano. Para tentar encontrar uma solução para essa crise, a OIT se reúne a partir de segunda-feira com empresários, governos e sindicatos em Genebra. Uma das propostas da OIT seria a formação de alianças, como as cinco que já existem: One World, Star, Wings, Sky Team e Qualiflyier. A organização, porém, diz que essas alianças ainda são frágeis e vulneráveis à concorrência entre as empresas que fazem parte do acordo. A OIT não acredita que a saída seja o aumento dos subsídios dados pelos governos às empresas, já que criaria uma situação de concorrência desleal com aqueles países que não contam com recursos para salvar suas companhias. O difícil, porém, será convencer os governos de que, mesmo sem uma determinada aerolinha nacional, os serviços aéreos não serão interrompidos para seus países.

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