Oligarca grego é acusado de fraude

Prisão de Lavrentis Lavrentiadis, acusado de envolvimento no colapso do Banco Proton, está sendo visto como exemplo a ser seguido

ATENAS, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h05

Em uma rara demonstração de força, autoridades gregas decretaram a prisão de Lavrentis Lavrentiadis, um oligarca de alto perfil. Ele foi detido em sua casa, num subúrbio influente de Atenas, por envolvimento m um escândalo financeiro, e levado a um hospital por problemas de saúde.

"Meus problemas de saúde foram ignorados", disse Lavrentiadis ao ser detido. "Se acontecer alguma coisa comigo o sistema judicial será o responsável." Levrentiadis permanecia no hospital ontem à noite à espera de uma decisão judicial sobre se ele seria enviado à prisão ou a um hospital prisional.

Os promotores acusaram Lavrentiadis, de 40 anos, pelo colapso do Banco Proton, no início do ano, do qual ele era o maior acionista. Ele também é acusado de fraude, lavagem de dinheiro e participação em um grupo criminoso, acusações que podem levá-lo à prisão perpétua, informou um funcionário do tribunal.

Lavrentiadis deu início a um império de bilhões de dólares com a indústria química, passando pelo setor financeiro e mídia. Ele está entre os mais destacados empresários a ser preso desde que a Grécia mergulhou em uma crise fiscal. A prisão coincidiu com a aprovação da liberação de 45 bilhões de ajuda dos credores europeus à Grécia, que tem sido pressionada vigorosamente para limpar a corrupção que tem sido a raiz de muitos dos problemas do país.

Na quarta-feira, um tribunal de Atenas ordenou o arresto dos bens pertencentes a Lavrentiadis e de 27 de seus antigos companheiros. Lavrentiadis alegou ter sofrido grandes perdas após a emissão de centenas de milhões de dólares em empréstimos ruins para empresas inativas.

Exemplo. Poucas figuras tão influentes quanto Lavrentiadis foram julgados por esse tipo de crime na Grécia. Agências de notícias debateram a importância dessa prisão, e em que medida Lavrentiadis pode servir de exemplo.

O empresário vinha trabalhando duro para ser respeitado entre o pequeno círculo de famílias influentes da Grécia, contribuindo fortemente para instituições de caridade e comprando meios de comunicação. Em entrevista recente, ele levantou a possibilidade de estar sendo sacrificado, por ainda era ser um "estranho".

O Banco da Grécia (banco central grego) e promotores da área de finanças levaram um ano investigando o empresário e seus associados. Há alguns meses, seu nome surgiu como um dos mais de 2.000 gregos que apareceram na chamada "lista Lagarde" (diretora-geral do FMI) de pessoas que confirmaram ter contas em uma filial de Genebra do banco HSBC.

As contas são agora objeto de uma investigação por evasão de divisas, acusação negada por Lavrentiadis.

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, tem procurado usar alguns casos de má conduta por parte de figuras importantes para dar o exemplo. Em setembro, o governo começou a investigar as contas bancárias de mais de 30 políticos gregos para determinar se eles devem ser acusados de sonegação e evasão.

Tiro no pé. Mas George Katrougalos, um advogado grego constitucional que é membro da Universidade de Nova York, disse ser improvável que essa prisão represente o início de uma campanha contra malfeitores. "Muito pelo contrário. Ele está sendo usado como bode expiatório para que o sistema continue a ser como era antes, fechado em redes de relacionamentos entre o governo e a elite econômica, que não são transparentes, e ninguém sabe o que está acontecendo."

Lavrentiadis negou todas as irregularidades de que é acusado e alegou que a investigação por parte do Banco da Grécia não foi objetiva. Em recente entrevista, ele disse que estava "limpo" e que estava sendo injustamente acusado./ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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