Oligopólios elevam preços acima da inflação

As empresas que detêm a maiorparcela de mercado em que atuam, isto é, os oligopólios,continuam aumentando os preços em níveis bem superiores aosíndices médios de inflação, mesmo com vendas em queda e a rendado consumidor corroída. Grandes supermercados informam que apressão persiste nas últimas semanas, apesar do recuo do dólarpara o nível de R$ 3,00. A percepção de quem negocia com setoresoligopolizados é que eles conseguiram nos últimos meses repormargens, sem se importar com a perda de participação demercado. O poder dessas empresas que dominam o mercado em queatuam de emplacar aumentos de preços a despeito da conjunturadesfavorável fica claro nos índices de inflação. O Índice dePreços ao Consumidor da Fundação Instituto de PesquisasEconômicas (IPC-Fipe) da segunda quadrissemana deste mês, quemede a variação do custo de vida do paulistano nos últimos 30dias encerrados em 14 de abril ante os 30 dias anteriores, subiu0,84%. Nesse período, artigos de higiene e limpeza ficaram maiscaros 2,10% e 2,61%, respectivamente. Desses dois grupos, há produtos que subiram muito alémda inflação do período. Esse é o caso do amaciante de roupa,cujo preço subiu 5,31%, sabão em barra (3,49%), sabão em pó (317%), água sanitária (3,37%) e cera para assoalho (2,29%). Ahistória se repete para os itens de higiene pessoal. Na segundaquadrissemana deste mês, o preço do sabonete subiu 4,85%,condicionador de cabelo (3,95%), xampu (3,38%), creme dental (3,29%) e desodorante (2,32%). Mesmo no grupo de alimentos industrializados, cujavariação de preços foi de 0,86%, equivalente ao índice geral daFipe na segunda quadrissemana deste mês, há também produtos quesubiram bem acima da inflação. O preço do hambúrguer, porexemplo, aumentou 5,09%, salsicha (6,02%), achocolatado (4,76%)e do salgadinho (1,01%). Além da pressão dos alimentos in natura, o coordenadordo IPC-Fipe, Heron do Carmo, ressalta que são os produtosoligopolizados que estão ajudando a inflação a resistir emníveis elevados. Mas agora, com o dólar recuando para o nível deR$ 3,00, o economista acredita que o poder para aumentar preçosdos oligopólios se enfraquece. "Com essa nova cotação do câmbio as importações tornam-se viáveis e cresce a concorrência."

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