JOHN KOLESIDIS | REUTERS
JOHN KOLESIDIS | REUTERS

Olimpíada, protestos,rebaixamento: um roteiro bem familiar

Após crescimento forte em 2003 e 2004, país amargou seis anos de queda e já foi socorrido três vezes pela UE

Fernando Nakagawa, Correspondente, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2016 | 16h00

LONDRES - Maquiagem das contas públicas, recessão, disparada da dívida pública, rebaixamento de rating, protestos populares e Olimpíada. Os elementos desse roteiro parecem familiares aos brasileiros, mas compõem a história recente da Grécia. Juntos, esses fatos culminaram no colapso da economia grega.

Há pouco mais de uma década, a Grécia vivia um período intenso enquanto a economia crescia e a sociedade colhia os frutos da integração com a União Europeia. Após a transição monetária, o dracma saiu de circulação em 2002 e gregos passaram a carregar euros na carteira. Dois anos depois, o país celebrou os cem anos da primeira Olimpíada da era moderna com os jogos em Atenas. Apoiada pela integração europeia, a economia cresceu mais de 5% em 2003 e 2004 – maior crescimento desde a década de 70.

A festa durou pouco. Em dezembro de 2004, a UE acusou Atenas de publicar dados econômicos falsos. O déficit fiscal de 1997 foi de 6,6% do PIB, e não de 4,0%, como anunciado. Igual procedimento foi usado em 1998 e 1999. Com a maquiagem, Atenas divulgou indicadores que cumpriam o exigido pela UE para permitir a adesão ao euro.

Entre 2007 e 2008, a Grécia foi um dos países mais atingidos no estouro da crise financeira global e amargou seis anos de recessão. Em 2011, o PIB caiu mais de 9%. As agências de classificação de risco rebaixaram as notas do país com medo do calote. O governo cortou gastos públicos, mas não foi suficiente e o país foi socorrido pela UE em 2010 e novamente em 2012. Em junho de 2015, a Grécia votou em plebiscito contra as condições exigidas pelos credores internacionais. A situação não mudou e, em agosto, a UE anunciou o terceiro programa de resgate. A recessão continua e o desemprego está em 23%.

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