Olmert: acordo de paz com palestinos nunca esteve tão perto

Israel e os palestinos nunca estiveramtão perto de chegar a um acordo de paz, disse oprimeiro-ministro israelense Ehud Olmert no domingo, depois deconversar com o presidente palestino Mahmoud Abbas e opresidente francês, Nicolás Sarkozy. Olmert disse a jornalistas que ainda há obstáculos asuperar e que é chegada a hora de ambas as partes tomaremdecisões difíceis. "Me parece que nunca antes estivemos tão próximos dapossibilidade de selar um acordo quanto estamos hoje", disseele em coletiva de imprensa, ao lado de Abbas e Sarkozy. "Me parece que chegamos ao momento em que as autoridadespalestinas e as israelenses precisam tomar decisões sérias eimportantes que irão finalmente nos levar para onde nunca antesestivemos", acrescentou, sem dar maiores detalhes. Olmert e Abbas iniciaram negociações de paz mediadas pelosEstados Unidos no ano passado, com o objetivo declarado dechegar a um acordo antes do término do mandato do presidentenorte-americano, George W. Bush, em janeiro de 2009. Mas osavanços vêm sendo frustrados por violência e recriminaçõesmútuas. Sarkozy, cujo país assumiu em 1o de julho a presidênciarotatória da União Européia, visitou Israel e a Cisjordânia nomês passado, como parte de esforços para facilitar asnegociações. Abbas saudou a intercessão francesa e expressou a esperança"de que possamos chegar à paz dentro de alguns meses". Falando por meio de intérprete, ele disse na coletiva deimprensa: "Iniciamos negociações detalhadas com Olmert. Estamostotalmente sérios. Ambos estamos falando a sério." CÚPULA MEDITERRÂNEA Sarkozy convidou Olmert e Abbas a Paris para participar deuma cúpula de países da União Européia e do Mediterrâneo quecomeça ainda neste domingo. Também está presente o presidente sírio, Bashar al Assad,que vem mantendo negociações de paz indiretas com Israel,mediadas pela Turquia. Olmert disse que gostaria que houvesse um engajamentodireto com a Síria, mas que isso não se dará às expensas dasnegociações com os palestinos, "que são de importância máximapara nós". Ele também declarou que quer trabalhar com a Europa e osEUA "para evitar o maior perigo para Israel", ou seja, asambições nucleares do Irã. Os países ocidentais e Israel, quese acredita possuir o único arsenal atômico do Oriente Médio,suspeitam que o Irã esteja tentando construir uma bombaatômica, o que Teerã nega. A visita do premiê israelense à França vem sendo lançada nasombra por acusações de fraudes com suas despesas de viagensque lhe vêm sendo feitas em seu país. Olmert nega as acusações. Destacando a importância dada ao escândalo crescente, arádio Israel deixou de fazer a cobertura ao vivo dasdeclarações de Olmert em Paris para entrevistar um parlamentardo partido que é seu principal aliado na coalizão governista,falando das suspeitas mais recentes. Enquanto o escândalo cresce, Olmert vem enfatizando seusesforços para fazer a paz com os muitos inimigos de Israel emostrar que sua atenção continua plenamente focada nas váriasconversações. Autoridades israelenses e ocidentais dizem que os avançosmaiores com os palestinos têm sido relativos à questão dasfronteiras e que qualquer acordo de paz dificilmente irádetalhar o que será feito com Jerusalém ou com os refugiadospalestinos. De acordo com autoridades palestinas e ocidentais, Olmertofereceu devolver 92,7 por cento da Cisjordânia, mais 100 porcento da Faixa de Gaza, aos palestinos. Além disso, propôs umatroca de 5,3 por cento de territórios em contrapartida porgrandes assentamentos israelenses. Abbas exige o equivalente a 100 por cento da Cisjordânia eFaixa de Gaza. Ele levantou a possibilidade de modificar asfronteiras pré-1967 e pode aceitar uma troca de terras de 1,5 a2 por cento.

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