Olympus cede à pressão dos investidores

A Olympus cedeu à pressão dos investidores sobre o pagamento de altas comissões a consultores durante uma aquisição em 2008, e anunciou que formará um painel independente para auditar os negócios realizados.

TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2011 | 03h06

A decisão marca o fim de uma dramática semana para a fabricante japonesa de câmeras equipamentos de precisão, que, sem que ninguém esperasse, demitiu o presidente executivo Michael Woodford, sob alegação de incompetência. As ações da Olympus perderam metade do valor desde a demissão do executivo, em 14 de outubro.

Woodford, que agora está no Reino Unido, enviou documentos para auditores britânicos denunciando o pagamento de US$ 687 milhões para duas companhias de consultoria na ocasião da compra, por US$ 2,2 bilhões, da fabricante britânica de produtos médicos Gyrus. O executivo disse ter sido aconselhado pela PriceWaterHouse Cooper que uma taxa de 1% do valor de compra seria normalmente esperada em tal aquisição, podendo chegar a no máximo 2% em circunstâncias excepcionais. Isso equivaleria a algo entre US$ 20 milhões e US$ 40 milhões.

Na segunda-feira, Hisashi Mori, executivo sênior da companhia, disse a investidores que a taxa paga era equivalente a menos da metade do valor anunciado por Woodford, excluindo os pagamentos feitos para a recompra de ações preferenciais da Gyrus. Na quarta-feira, porém, a Olympus confirmou o pagamento, mas não explicou o motivo da comissão tão alta.

Acionistas, entre eles os mais flexíveis, exigem uma ação rápida para acabar com as preocupações. Woodford também pediu a atenção do órgão regulador do mercado financeiro japonês para o assunto. O ministro de Serviços Financeiros do Japão, Shozaburo Jimi, disse que as autoridades farão o que têm de fazer, mas não deu detalhes.

A Olympus afirmou em comunicado que os acionistas estão pedindo uma explicação: "Estamos nos preparando para montar um painel independente, incluindo advogados e contadores, para analisar as aquisições que a companhia fez".

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