Ombudsman espanhol será modelo para a Bovespa

Maior transparência e desenvolvimento do mercado. Essas são as principais contribuições do ombudsman José Manuel Núñez-Lagos para a Bolsa de Madri, que servirão de base para o modelo a ser adotado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Primeiro ombudsman de Bolsa de Valores do mundo, no cargo desde 1991, Lagos disse que a experiência tem se traduzido em benefício aos investidores e a recomenda para outras Bolsas. "A decisão de criar essa figura é um passo adiante em favor da especialização e desenvolvimento das práticas e usos do mercado", comentou, em entrevista à Agência Estado. Ele explicou que sua função tem sido proteger os acionistas, atendendo a reclamações e cobrando soluções. Os procedimentos de Lagos serão analisados por uma equipe da Bovespa, liderada pelo presidente, Raymundo Magliano, que deve desembarcar na Espanha até o início de março. Atualmente, uma comissão na Bolsa estuda as funções que serão atribuídas ao ombudsman, ainda sem data para iniciar o trabalho. O nome de quem ocupará o cargo também não está definido. Segundo Magliano, o ombudsman brasileiro deverá ter mandato de quatro anos e ser eleito pelo Conselho de Administração da Bolsa, como ocorre na Espanha. Mercado brasileiro aprova criação de ombudsman A idéia da criação de um ombudsman na Bovespa foi aprovada pelas associações ligadas ao sistema financeiro. Para o presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Alfried Plöger, todos os mecanismos constituídos para melhorar o diálogo no mercado e evitar conflitos são bem-vindos. Ele destacou que, para dar certo, o ombudsman terá de ser uma pessoa respeitada no mercado financeiro, com grande poder de decisão e bons conhecimentos sobre a legislação, se reportando diretamente ao presidente da Bolsa. "A figura do ombudsman vai ser muito positiva para gerar transparência e confiabilidade no mercado", disse o presidente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), Arleu Anhalt. Para ele, a criação do cargo mostra que a Bolsa está começando a fazer uma auto-avaliação. "Assim como prega a governança corporativa, a Bovespa também precisa procurar a boa gestão", disse. Anhalt lembrou que a constituição do Novo Mercado pela Bovespa, no final do ano passado, já mostrava a preocupação da Bolsa com as práticas de transparência e respeito ao investidor. "O ombudsman vai reforçar essa idéia" afirmou. O presidente da Associação Nacional de Investidores do Mercado de Capitais (Animec), Waldir Corrêa, disse que o ombudsman ajudará a Bolsa a dar atenção a aspectos do mercado que passavam despercebidos, principalmente em relação ao pequeno acionista. "É mais um canal para o investidor reclamar os seus direitos", disse. Para ele, no entanto, o ombudsman deve cuidar apenas das operações diárias. "Os minoritários que tiverem problemas com controladores devem continuar procurando a Animec", afirmou Corrêa.

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